Valença

Aspetos Geográficos
O concelho de Valença, do distrito de Viana do Castelo, localiza-se na Região Norte (NUT II), no Minho-Lima (NUT III), e situa-se numa elevação da margem esquerda do rio Minho, a 28 km da foz e a 51 km para nor-nordeste da capital do distrito.
O concelho de Valença está limitado a norte pelo rio Minho, que estabelece a fronteira com Espanha, a sul-sudeste pelo concelho de Paredes de Coura, a sudoeste pelo de Vila Nova de Cerveira e a este pelo de Monção. Com uma área total de 117,3 km2, apresenta-se dividido em 16 freguesias: Cerdal, Arão, Boivão, Cristelo Covo, Friestas, Fontoura, Gandra, Ganfei, Gondomil, Sanfins, São Julião, São Pedro da Torre, Silva, Taião, Valença e Verdoejo.
Em 2005, o concelho apresentava 14 204 habitantes.
O natural ou habitante de Valença denomina-se valenciano.

História e Monumentos
Esta área já era habitada antes da romanização, como atesta a existência de alguns castros e de um marco miliário descoberto em 1689 junto ao rio Minho. As marcas mais importantes da fixação romana nesta região são as duas vias romanas, uma militar - a Via IV do XIX Itinerário de Antonino e outra de cariz comercial - a "per loca marítima". Restam ainda alguns exemplares das respetivas pontes e marcos. No entanto, estações rupestres e monumentos megalíticos fazem remontar a sua origem a tempos muito mais longínquos. Foi D. Sancho I quem, em 1200, mandou levantar os primeiros muros desta vila, chamando-lhe então Contrasta, que significa povoação em oposição a outra, no caso a cidade galega de Tui. Mais tarde, foi arrasada pelos leoneses, tendo sido posteriormente repovoada por D. Afonso II, que em 1262 lhe renovou o foral e confirmou os privilégios e direitos atribuídos ao povo de Contrasta determinando que a povoação passasse a chamar-se Valença.
Foi desde sempre, graças à sua localização estratégica, uma das mais importantes praças-fortes do país, tendo sido inúmeras vezes alvo de incursões de tropéis castelhanos. Ao longo da sua história, Valença constituiu também um importante ponto de passagem de um dos caminhos portugueses de peregrinação a Santiago de Compostela.
Do vasto património da região destaca-se a fortaleza setecentista (tipo Vauban) que testemunha a importância estratégica de Valença como vila fronteiriça; a igreja matriz; a Igreja de Santo Estêvão; a Capela da Misericórdia; a Rua Direita e o Monte do Faro, onde se ergue o Santuário de Nossa Senhora de Faro. Do alto deste monte é abrangente a paisagem sobre um largo percurso da Ribeira Minho até ao mar. A "ponte velha", que faz a ligação entre Portugal e Espanha, foi construída em ferro e é um símbolo deste concelho. Na freguesia de Ganfei destaca-se o mosteiro beneditino, mandado construir por São Martinho de Dume ou S. Frutuoso no século VI. Em Sanfins de Friestas encontra-se outro antigo mosteiro beneditino, sendo a sua igreja românica uma referência patrimonial.
Em frente à Capela do Bom Jesus eleva-se a estátua daquele que se diz ter sido o primeiro santo português, São Teotónio (1082-1162).

Tradições, Lendas e Curiosidades
Neste concelho realizam-se as festas concelhias a 15 de agosto, em honra da Senhora de Faro.
O feriado municipal é a 18 de fevereiro.
Valença é conhecida pelos seus grupos culturais e ranchos folclóricos que se dedicam à formação de jovens músicos.
A vila estende-se por dentro e por fora das muralhas, mas o que mais atrai os visitantes é a sua parte antiga, de características medievais, que fica escondida dentro das respetivas muralhas - ruas estreitas e sinuosas, casas em granito, campos rasgados por afloramentos graníticos, etc.

Economia
Percorrendo os velhos caminhos desta antiga povoação, podem contemplar-se os campos trabalhados por uma agricultura minuciosa, de carácter marcadamente tradicional.
Além desta relação com a terra, o valenciano demonstra uma forte ligação ao rio Minho que desde tempos antigos se apresenta como uma importante via de comunicação, através da qual chegavam as madeiras de Monção e o sal de Aveiro e Setúbal.
A tradição comercial não se perdeu e nos nossos dias Valença constitui-se como um importante espaço comercial do Alto Minho, atraindo muitos visitantes, nomeadamente turistas vindos do lado de lá da fronteira. Juntamente com o comércio tradicional que se estende pelas ruas, o turismo contribui fortemente para a economia do concelho.
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