Valentiniano I

É historicamente apontado como o último verdadeiro grande imperador romano. Sem qualquer dúvida, foi o último imperador do Ocidente digno do nome. Seu pai era um robusto camponês da Panónia (aproximadamente, a atual Hungria) que, enfileirado na legião romana, conseguiu atingir o posto de general. Flávio Valentiniano nasceu em 321 e recebeu uma discreta educação antes de se tornar oficial de cavalaria. Foi injustamente afastado dos meios castrenses entre 357 e 363, mas foi depois chamado pelo imperador Joviano e colocado no comando de um regimento da guarda. Quando Joviano morreu a 15 de fevereiro de 364, foi proclamado imperador. Um mês depois, nomeou o irmão mais novo, Valente, co-imperador e no verão desse ano ainda, dividiu o Império, ficando com o ocidente para si.
A sua maior prioridade foi sempre a defesa das fronteiras. Entre 365 e 366 foram aniquilados os Alamanos que tinham invadido a Gália e a sua terra natal, na Germânia meridional, foi posta a ferro e fogo pelas legiões. Pela última vez na história imperial, foram reconstruídas as linhas fortificadas que se estendiam entre a Helvécia setentrional (Suíça) e o Mar do Norte, reforçando assim o exército colocado nesse limes. Em 367-368 ocorre uma invasão da Bretanha (Inglaterra) e mais tarde, entre 373 e 375 estala uma rebelião entre os Mouros em África. Ambas as revoltas foram reprimidas e a normalidade reposta pelo comandante-em-chefe de Valentiniano, Teodósio. Ainda em 375, teve Valentiniano que abandonar a Gália para organizar represálias contra as incursões bárbaras na Panónia; durante uma altercação ocorrida com uma delegação de representantes enviada pelos invasores, Valentiniano sofreu um ataque de apoplexia e acabou por falecer, em 17 de novembro.
Valentiniano ficou famoso pela sua crueldade e irascibilidade, mas também por ter sido um administrador escrupuloso mas desconfiado, que tentou, com escasso sucesso, limitar os abusos e a imposição excessiva de tributos. A sua intervenção contra Petrónio Probo com o intento de travar a sua cupidez e desumanidade na recolha de impostos redundou num completo desastre e descrédito público. As relações de Valentiniano com a aristocracia senatorial foram igualmente tensas: os cargos da corte eram entregues aos burocratas, os consulados aos comandantes-em-chefe e não raro os generais que prestavam serviço nas fronteiras podiam ascender ao cargo de senador. Condenou ainda à morte alguns senadores de Roma por ilícitos sexuais e pelo uso de venenos ou magia.
Cristão, Valentiniano conduziu uma política religiosa sem precedentes, tolerando os pagãos e a maior parte dos hereges e intervindo em assuntos da Igreja apenas quando estava em causa a ordem pública.
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