Vasco Graça Moura

Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, exerceu a advocacia, foi Secretário de Estado em dois governos provisórios, desempenhou funções administrativas na RTP, na Imprensa Nacional-Casa da Moeda e na Comissão Para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Tradutor de poesia de mérito reconhecido (Shakespeare, Enzensberger, Gottfried Benn, Dante), tem-se notabilizado pela qualidade de ensaísta e de crítico literário. A sua obra poética, beneficiando do intercâmbio com a atividade de tradução e crítica poética, distingue-se pelo hermetismo que decorre da confluência de diversas poéticas, como as clássicas, atualizadas pela inovação sintática e pela diversificação temática (que não rejeita a referência social modalizada pela ironia), parecendo compor esse discurso engenhoso um "elemento distanciador do fervor do sentimento. (...) Ou o filtro pelo qual o sentimento é decantado das suas razões exacerbadas, deixando à pureza do ato estético a escolha fria e cerebral do pathos estritamente necessário à realização equilibrada do poema" (cf. MARTINS, Manuel Frias - Sombras e Transparências da Literatura, 1983, p. 86). Como ficcionista, estreou-se com Quatro Últimas Canções, num suporte narrativo que, por detrás da utilização de "ingredientes, vozes e técnicas da composição tradicional" ("Nota do Autor", 1987), coloca as quatro personagens principais sobre um eixo musical composto por "uma polifonia discreta, manipulada por várias surdinas", e impõe a cada uma um registo dramático próprio, recriando o conjunto dos seus encontros e desencontros, a atmosfera das "Quatro Últimas Canções" de Richard Strauss.
Como referenciar: Vasco Graça Moura in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-21 17:02:11]. Disponível na Internet: