Verão Quente de 1975

Marcello Caetano, um antigo colaborador de António Salazar, presidente do Conselho, ascendeu ao cargo de Primeiro-Ministro de Portugal a 29 de setembro de 1968, na sequência de graves problemas de saúde que incapacitaram Salazar. O novo governante tentou introduzir algumas reformas logo que assumiu o seu novo posto. No entanto, prosseguiu, no essencial, a linha política do seu antecessor dando continuidade às políticas repressivas, nomeadamente em relação a África.
Na década de 70 a estabilidade económica da nação encontrava-se ameaçada pelo crescimento dos movimentos independentistas dos territórios ultramarinos africanos, um fator muito influente no derrube de Marcello Caetano no golpe militar de 25 de abril de 1974, também conhecido como a "Revolução dos Cravos".
O golpe de Estado colocou à frente do governo uma junta composta de sete membros, comandada pelo general António de Spínola. Este prometeu ao país a instauração de um regime democrático, paz no território nacional e nas províncias ultramarinas. Entre 1974 e 1975, as ex-colónias de Moçambique, Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e da Guiné-Bissau alcançaram a desejada independência, e entre 1975 e 1976, Timor Leste foi invadido pelas tropas indonésias que aí permaneceram até 1999, deixando um rasto de sofrimento e pobreza.
O regresso das tropas e de mais de um milhão de ex-colonos portugueses das ex-colónias ("retornados"),vieram agravar a situação económica e social vivida em Portugal, uma vez que aumentou o desemprego, facto que provocou alguma instabilidade política.
Spínola retirou-se do seu cargo a 30 de setembro de 1974, numa altura em que crescia intensamente a influência comunista. Foi substituído pelo general Francisco da Costa Gomes. Vasco Gonçalves, primeiro-ministro, indigitado em julho desse ano, permaneceu no seu lugar.
Em 1975, o MFA (Movimento das Forças Armadas) assumiu um papel preponderante no governo. Por sua iniciativa, foi estabelecida uma única frente sindical e deu-se início à reforma económica e social de Portugal, em moldes de um certo radicalismo de esquerda.
Uma das primeiras medidas a serem tomadas foi a nacionalização de alguns tipos de indústrias pesadas e de algumas instituições bancárias bem como a expropriação e redistribuição de propriedades agrícolas; foi encetada, dir-se-ia, uma tentativa de reforma agrária.
Em março, a ala direita do poder, inspirada pelo general Spínola, tentou um golpe, no dia 11, mas foi ultrapassada pela tendência socialista que liderou a votação para a Assembleia Constituinte.
Vasco Gonçalves formou o novo governo; contudo, este manifestou-se pouco estável. Depois de confrontos entre socialistas e comunistas, seguiram-se algumas manifestações contra estes últimos, sobretudo no Norte do país, uma região tradicionalmente mais conservadora. O MFA estabeleceu um triunvirato, composto por Costa Gomes, Vasco Gonçalves e o General Otelo Saraiva de Carvalho.
Em setembro, por pressão do exército, Vasco Gonçalves foi afastado e para o seu lugar foi apontado o almirante José Pinheiro de Azevedo como novo primeiro-ministro do país, o que restabeleceu uma certa acalmia. Nas eleições parlamentares de abril de 1976, os socialistas alcançaram a maioria dos lugares, e o seu líder carismático, Mário Soares, foi eleito primeiro-ministro. Em julho de 1976, o general Ramalho Eanes foi, por sua vez, eleito presidente da República Portuguesa.
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