Vesta

Deusa romana muito antiga que presidia ao fogo no lar doméstico, o centro da casa. Para além de protetora deste, Vesta personificava também o fogo cerimonial. Identificava-se com a deusa grega Héstia, como ela fazendo parte também do grupo das doze deusas principais (ou maiores). Curiosamente, era representada não por uma estátua mas sim pelo fogo, um símbolo vivo. Em termos religiosos, Vesta presidia à conclusão de qualquer ato ou empreendimento, sendo também protetora da vida.
Em Roma, o seu culto era presidido pelo próprio Sumo Pontífice, principal sacerdote romano, que era assistido pelas Vestais (seis ou dez), jovens sacerdotisas virgens consagradas a Vesta, oriundas das melhores famílias nobres de Roma que faziam um voto de castidade durante os trinta anos em que servissem a deusa. Eram estas virgens que velavam e mantinham o fogo sagrado de Vesta em todas as cidades romanas. Caso falhassem nesta missão, ou se quebrassem a castidade, seriam enterradas vivas. As Vestais personificavam também, como a deusa, a ideia de sacrifício e de pureza, servindo a inocência perpétua como auxílio contra a falibilidade e vida pecaminosa dos homens. O fogo nunca se deveria apagar, tendo que estar a ser continuamente alimentado; caso se extinguisse, teria que ser reacendido pelo Sol, através do reflexo num espelho.
De acordo com a tradição, terá sido Rómulo - assim como o seu irmão, Remo, era filho de uma vestal, Reia Sílvia, e do deus Marte, divindade da guerra entre os romanos - quem terá iniciado em Roma o culto a Vesta. Esta hipótese tem sido bastante discutida, em termos mitológicos, pois o templo consagrado à deusa - de planta circular, como as primitivas habitações da região do Lácio) - erguia-se fora da cidade palatina (centrada na colina do Palatino), logo fora do núcleo urbano que correspondia à cidade de Rómulo. Estava situado o templo, mais precisamente, no Forum romano, área fora da cidade. Foi o segundo rei de Roma, Numa Pompílio, quem instituiu o serviço religioso em honra da deusa. Uma outra versão do mito de Vesta conta que terá sido Eneias a introduzir a deusa na Itália, tendo-a levado para Lavínio, de onde Ascânio a transferiu para Alba e dali para Roma. Aqui Numa Pompílio ter-lhe-á erguido um templo em sua honra, sem estátua alguma da deusa, antes apenas com o fogo perene que a simboliza.
A antiguidade da deusa e do respetivo culto comprova-se pelo facto de o seu animal sagrado ser o burro, um animal tipicamente mediterrânico, ao contrário do cavalo, originário das planícies indo-europeias, que surgiu no sul da Europa quando já ali existia o gado asinino. Nos dias das festas de Vesta (as Vestalia), em meados de junho (a cerimónias mais importantes eram a 7), os burros mais novos eram enfeitados com coroas de flores e eram dispensados do trabalho diário. Para apoiar esta tradição, existia uma lenda tardia, já com forte cunho grego, que contava que a deusa, acérrima defensora da castidade perpétua, tinha sido defendida por um burro perante o assédio de Príapo, um sátiro que ficou lendário pelo facto de estar sempre com o pénis ereto e pronto a copular.
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