Viagem de inverno

O título, estabelecendo, pela epígrafe, uma relação intertextual com a obra homónima de Whilhelm Müller e Franz Schubert, remete para um balanço existencial, para uma revisão da vida em função de um itinerário percorrido quando se chega à última das estações. Sentido corroborado pelo poema de abertura ("A meio do caminho / a mais de meia vida já vivida / reencontrei-me só na selva escura / da vida indecifrada") ou no poema 2 onde alude a uma "viagem literalmente de inverno / literalmente viagem / por estradas escorrendo rios turvos nas ondas congeladas das montanhas", e paradigmaticamente atualizado, ao longo do volume, em lexemas como "encruzilhada", "estrada", "destino perdido no caminho", a que se associa frequentemente um significado de desgaste, de erosão e de disforia. Em algumas das composições, a angústia da espera ou da chegada é formulada através de uma reatualização dos moldes paralelísticos da poesia galaico-portuguesa, como, por exemplo, em "Erguido amigo dos projetos latos", "Para de repente o rio" ou "Bailemos amigas".
Como referenciar: Viagem de inverno in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-10-19 17:26:54]. Disponível na Internet: