Viagens de S. Paulo

S. Paulo foi um apóstolo de Jesus Cristo, embora não tenha pertencido ao grupo dos "Doze".
A biografia e a doutrina de S. Paulo estão descritas nas suas Epístolas e nos Atos dos Apóstolos no Novo Testamento da Bíblia.
Após a conversão ao cristianismo, S. Paulo empreendeu várias viagens missionárias pelo Mundo. Na sua primeira viagem (45-48/49), S. Paulo, acompanhado de Barnabé e João Marcos, embarcou em Antioquia da Síria com destino a Chipre. Em Pafos (capital do Chipre) converteram o procônsul Sérgio Paulo, romano de estirpe. Daqui partiram para o continente, para a Ásia Menor, onde chegaram a Perga da Panfília. Depois de Marcos os ter abandonado, seguiram para Antioquia da Pisídia, onde fizeram duas pregações: aos judeus na sinagoga, conseguindo converter alguns, ainda que tivessem a oposição de outros, e aos gentios. De seguida, rumaram a Icónio, Listra e Derbe, onde evangelizaram estas cidades. Na segunda cidade, S. Paulo curou um coxo, sendo de seguida apedrejado pelos judeus. Na viagem de regresso, S. Paulo e Barnabé passaram pelos mesmos sítios para consolidar os novos centros do cristianismo, regressando ao ponto de partida. Nesta altura deu-se início à célebre controvérsia judaica, isto é, alguns judeus de Jerusalém queriam que os gentios que se converteram ao Cristianismo fossem circuncisados, ao que S. Paulo e Barnabé se opuseram, dando início ao 1.º Concílio da Igreja, em Jerusalém, por volta de 50, que acabou por lhes dar razão.
Na segunda viagem (49-52), S. Paulo, acompanhado por Silas, voltou à Ásia Menor, por terra, atravessou a Síria e a Cilícia, passando por Derbe, Listra, onde se lhes juntou Timóteo, por Icónio e Antioquia da Pisídia. De seguida evangelizou a Frígia e a Galácia do Norte, onde adoeceu. Recomposto seguiu a sua viagem para Tróade. Nesta altura teve uma visão e seguiu para a Macedónia, por mar, acompanhado pelo seu médico, Lucas. Depois de ter evangelizado Filipos, onde foi preso, seguiu para Tessalónica e Bereia. Porém, os judeus obrigaram-no a ir para Atenas, onde fez a sua pregação aos judeus na sinagoga e aos gentios na ágora. De Atenas partiu para Corinto onde ficou cerca de um ano e meio e fundou um dos mais importantes centros do cristianismo. A oposição dos judeus fez S. Paulo esmorecer, mas uma nova visão refortaleceu o seu ânimo. Foi nesta altura, por volta do ano 51-52, que enviou as duas cartas ao povo da Tessalónica. Daqui embarcou para leste juntamente com o casal Áquila e Priscila que conheceu em Corinto. Depois de Éfeso, onde S. Paulo fez uma pregação e onde o casal acabou por ficar, o apóstolo dirigiu-se, por mar, para Cesareia da Palestina, de onde partiu para Jerusalém e, finalmente, regressou a Antioquia da Síria.
Na terceira viagem (53-57/58), S. Paulo partiu de Antioquia da Síria e foi, novamente, à Galácia e à Frígia. Daqui foi para Éfeso, onde permaneceu cerca de três anos e onde fez a evangelização mais importante da sua vida, pregando nos principais centros romanos da Ásia Menor, ajudado pelos seus discípulos, pregação esta que durou cerca de dois anos. Porém, S. Paulo teve de abandonar a sinagoga, já que os Judeus não deixaram de o perseguir, uma vez que os seus milagres se multiplicavam. Ao mesmo tempo, S. Paulo ia tendo más notícias da Galácia e de Corinto. Foi nesta altura que escreveu as cartas aos gálatas e a primeira carta aos coríntios. Porém, como as más notícias vindas de Corinto se multiplicavam, S. Paulo enviou lá Timóteo, sem resultados, acabando por se deslocar a esta cidade também infrutiferamente, o que fez com que, no regresso, enviasse uma nova epístola aos coríntios. De Éfeso partiu para o Norte (Tróade) e daqui foi para a Macedónia, onde ficou alguns meses e de onde escreveu aos Coríntios. Da Macedónia foi novamente para Corinto, onde escreveu a epístola aos romanos. Porém, como os judeus não paravam de o perseguir, S. Paulo teve de voltar à Macedónia, tendo passado o dia de Páscoa em Filipos. Daqui iniciou a viagem de regresso, por mar, fazendo escala em diversos portos, como Mileto, Pátara e Tiro, até chegar a Ptolemaida, de onde partiu para Cesareia, por terra. Daqui rumou a Jerusalém, onde se encontrou com Tiago em sua casa, tendo sido aconselhado a fazer uma cerimónia de purificação no Templo para calar aqueles que o acusavam de ser um temível adversário da Lei Mosaica.
A quarta viagem (57/58-62/63) não pode ser considerada como mais uma viagem de missionação, mas sim a viagem que S. Paulo realizou a Roma como prisioneiro.
Em Jerusalém, depois da amotinação no Templo contra S. Paulo, os romanos tiveram de o prender, evitando deste modo que fosse linchado pela população, apresentando-se, mais tarde, ao Sinédrio. Nessa mesma noite, Jesus Cristo apareceu-lhe e anunciou-lhe a ida a Roma, onde daria provas do Mestre. Assim, uma vez na posse da informação que os judeus atentavam contra a vida de Paulo, os romanos enviaram-no para Cesareia, onde se apresentou ao governador Félix. Após uma defesa brilhante de Paulo, o governador não o condenou, embora fosse mantido preso durante dois anos, altura em que o governador foi substituído por Festo, que acabou por propor a Paulo a viagem a Roma para lá ser julgado. Antes de partir com Lucas e Aristarco falou com o neto de Herodes, Agripa II. Em virtude de uma tempestade tiveram de desembarcar em Malta, onde permaneceram algum tempo. Daqui partiram para Siracusa e Régio, chegando finalmente a Roma. Aqui, S. Paulo permaneceu dois anos e falou aos judeus. Foi nesta altura que escreveu as cartas aos colossenses, aos efésios, a Filémon e aos filipenses. Após terminada esta missão, S. Paulo foi julgado e libertado, sendo pouco depois supliciado.

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