Vibrações do Século

Volume dividido em três livros - "Sons do Universo", "Auréolas Luminosas" e "Gritos da Época" -, representativo da poesia de tendência filosófica e inspiração comtiana introduzida em Portugal por Teófilo Braga, em Visão dos Tempos e Tempestades Sonoras, publicadas em 1864. Identificando os seus poemas com "as vibrações do século que passa", o poeta aspira a devassar "os erários/ imensos do Ideal, esplêndidos, fecundos", a descortinar "Das Cousas o Princípio, a causa, a ingenta meta" ("Contemplação"). A celebração do progresso ("O Ideal de Voltaire", "A Grande Via", "Faça-se a Luz") e da revolução ("Vox populi") decorre da evocação do processo histórico de descoberta progressiva da verdade, conducente à abolição da superstição e do fanatismo ("Os deuses abolir,/ E a Verdade nas Leis das Cousas descobrir!", do poema "A Natureza e o Homem"; "A Ciência, o fogo santo, a chama pura e intensa/ Venceu a negra cruz", do poema "Santos e Heróis"). Assim, no livro central das "Auréolas Luminosas", perfilam-se os lutadores do Ideal, numa galeria em que, entre outros, figuram Aristóteles, Arquimedes, Galileu, Gutenberg, Colombo, Descartes e Franklin. As recentes correntes científicas e filosóficas alimentam esta nova poesia positiva, aliada da ciência (veja-se "A Arte"), refletindo-se diretamente em várias composições, como "A luta", que explana a ideia da evolução natural do Homem colhida no darwinismo, ou "Os fósseis" ("Os fósseis são as letras do missal/ Que tem por folhas amplas os terrenos,/ São as letras que ensinam ao Ideal/ As novas conceções - cantos amenos/ Inspirando aos poetas da Verdade,/ Enquanto expira o som frouxo dos trenos/ Com a absurda criação da divindade").
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