Viseu

Aspetos geográficos

Cidade, sede de concelho e capital de distrito. Localiza-se na Região Centro (NUT II), no Dão-Lafões (NUT III). Fica situada num extenso planalto, a uma altitude média de 494 m. Dista 293 km de Lisboa e 120 km do Porto.
O concelho possui uma área de aproximadamente 507,3 km2, engloba 34 freguesias: Abraveses, Barreiros, Boaldeia, Bodiosa, Calde, Campo, Cavernães, Cepões, Viseu (Coração de Jesus), Cota, Couto de Baixo, Couto de Cima, Fail, Farminhão, Fragosela, Lordosa, Silgueiros, Mundão, Orgens, Povolide, Ranhados, Ribafeita, Rio de Loba, Viseu (Santa Maria de Viseu), Santos Evos, São Cipriano, São João de Lourosa, Viseu (São José), São Pedro de France, São Salvador, Torredeita, Vil de Souto, Vila Chã de Sá, Repeses.

Em 2005, o concelho apresentava 95 842 habitantes. O natural ou habitante de Viseu denomina-se viseense.

O distrito é limitado ao norte pelos distritos de Vila Real e Porto, a sul pelo de Coimbra, a este pelo de Aveiro e a oeste pelo da Guarda. É um dos mais montanhosos do país, dele fazendo parte os maciços das serras da Lapa, Leomil, Montemuro, Caramulo e algumas ramificações da Estrelasendo a serra de Montemuro, com 1381 m, a de maior altitude. Nos vales correm os afluentes do Douro - Torto, Távora, Varosa e Paiva -, o Vouga, o Dão e o Mondego, além de várias ribeiras.
Na área do distrito distribuem-se 24 concelhos: Armamar, Castro Daire, Carregal do Sal, Cinfães, Lamego, Mangualde, Moimenta da Beira, Mortágua, Nelas, Oliveira de Frades, Penedono, Penalva do Castelo, Resende, São João da Pesqueira, Santa Comba Dão, São Pedro do Sul, Sátão, Sernancelhe, Tabuaço, Tarouca, Tondela, Vila Nova de Paiva, Viseu e Vouzela.

História e monumentos

A povoação primitiva é antiquíssima e sabe-se que em 572 já tinha bispo. A sua Sé foi restaurada em 1144, após a Reconquista. D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, concedeu-lhe foral em 1123 e fez da cidade um dos seus locais de residência preferidos.

O seu património monumental e artístico é riquíssimo, a começar pela Sé, um dos mais belos monumentos religiosos do país, apesar da mistura de vários estilos - gótico, manuelino, barroco - em resultado das várias obras de que foi alvo ao longo dos séculos. Admiráveis são também as Igrejas de S. Francisco, dos Terceiros, do Carmo, da Misericórdia e Via-Sacra. O Museu de Grão Vasco, instalado no antigo Paço Episcopal e recheado de obras do artista que lhe deu o nome, é uma das principais galerias de pintura do país. De salientar ainda a Cava de Viriato, tosca fortificação que faz parte da história da Lusitânia, entre tantos outros edifícios da zona histórica testemunhos da antiguidade e importância da cidade.

Tradições, lendas e curiosidades

Em Viseu realiza-se, às terças-feiras, o mercado; de quinze em quinze dias, a feira da Nossa Senhora do Padrão; e de meados de agosto a meados de setembro, a feira de São Mateus - também conhecida por feira franca - onde se expõe artesanato, produtos agropecuários e vinhos. O feriado municipal de Viseu é, aliás, consagrado a São Mateus e comemorado a 21 de setembro.

Na segunda-feira de Pascoela, tem lugar a romaria da Nossa Senhora do Crasto; em setembro a romaria de Santa Eufémia; em agosto festeja-se a Nossa Senhora da Vitória e em janeiro São Sebastião. Refiram-se ainda as festas da Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.

A choupana é uma construção característica de Viseu. Consiste num pequeno edifício de pedra, de forma circular, coberto com materiais vegetais. A sua finalidade é servir de palheiro. Em Penalva do Castelo, encontram-se umas cabanas, também chamadas de cortes ou cibanas. Apresentam uma forma circular, são feitas em pedra, cobertas de colmo, tendo como finalidade recolher o gado e as alfaias agrícolas, servindo até de abrigo para pessoas.

Vildemoinhos é uma povoação próxima de Viseu repleta de antigas tradições, tal como Cavalhadas. Antigamente um cortejo de moleiros com cavaleiros envergando trajes de gala dirigia-se em romaria à capela de São João da Carreira (hoje é um cortejo de carros alegóricos ainda com cavaleiros trajados com as vestes tradicionais dos moleiros e o grupo dos mordomos e dos alferes). No dia 24 de junho, dia de São João, forma-se o cortejo de manhã cedo na povoação, percorrendo depois as ruas da cidade de Viseu, regressando a Vil de Moinhos. O cortejo é formado por cavaleiros, grupo de zés-pereiras, gigantones e vários carros alegóricos.

Na serra de Montemuro os pastores usam uma vestimenta típica, composta por coroça e chapéu de palha. Na serra do Caramulo os camponeses envergam uma capucha de burel tecida com lã de ovelha.
Os serranos mais velhos vestem-se ainda com roupas de burel e por vezes é possível ouvir o aleriar, cantado de monte para monte por pastores, que preservam as lendas de lobisomens e mouras.

O artesanato engloba várias produções: cestos, mantas de farrapos, bordados tradicionais e tapetes, colchas de lã, rendas de bilros, bordados de Tibaldinho, flores de papel, cestaria de verga de castanho, fabrico de coroças, palhoças ou palheiras de junco, cestaria de palha e silva, barros negros e vermelhos, tanoaria, latoaria e artefactos em estanho e ferro forjado.

Economia

O concelho de Viseu produz trigo, milho, centeio, batatas, legumes e frutos. A cultura mais intensa é a da vinha, com a particularidade de produzir vinhos licorosos a norte, vinhos verdes na região de Lafões e vinhos maduros no Dão. A pecuária e a agricultura estão bastante desenvolvidas, e encontram-se também indústrias de madeira, marcenaria, cerâmica, metalomecânica e produtos alimentares.




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