Vojislav Kostunica

Antigo líder da oposição jugoslava ao ex-presidente Slobodan Milosevic, Vosjislav Kostunica foi eleito presidente da Federação Jugoslava - que mais tarde passou a República da Sérvia e Montenegro-, no período de transição democrática iniciado em outubro de 2000. É considerado um antigo académico, moderadamente nacionalista e liberal, embora tenha sido um crítico feroz da intervenção militar da NATO no Kosovo em 1999.
Vojislav Kostunica nasceu a 24 de abril de 1944, em Belgrado, na Sérvia. Licenciado em Direito, Kostunica teve sempre uma vida modesta, sem grandes possibilidades económicas. Foi durante muitos anos assistente universitário, tendo sido também autor de vários livros sobre Ciências Jurídicas. É também especialista em Direito Constitucional, área em que se doutorou e na qual centrou a sua investigação e vida universitária.
Todavia, e por a política o ter sempre entusiasmado, foi, em 1974, expulso da Universidade de Belgrado, onde lecionava, por ter criticado a nova Constituição, apoiada e instaurada pelo regime de Tito, então no poder. Quinze anos depois, em 1989, foi convidado a regressar aos meios académicos de Belgrado, mas recusou, pois estava já bastante empenhado numa vida política ativa e numa eventual carreira, em virtude da queda dos regimes socialistas da Europa de Leste verificada nesse ano, o ano do fim do Muro de Berlim. De facto, foi um dos fundadores do Partido Democrático, nesse mesmo ano, que abandonou em 1993 para criar o Partido Democrático da Sérvia. Ainda que nacionalista, Kostunica evidenciou sempre possuir uma cultura democrática superior à maior parte dos outros líderes oposicionistas jugoslavos. Depois de um posicionamento político relativamente secundarizado face a outros líderes oposicionistas durante as "aventuras nacionalistas sérvias", em resposta ao desmoronamento da antiga Jugoslávia, orquestradas por Milosevic não só na Sérvia, mas também - e principalmente - na Croácia, na Bósnia-Herzegovina e no Kosovo, Kostunica começou a assumir um protagonismo cada vez maior na cena política em Belgrado.
Para enfrentar Milosevic com sucesso, Kostunica usou uma mistura explosiva: nacionalismo e democracia, tentando encontrar uma fórmula política que não criasse anti-corpos no Ocidente, a quem a Sérvia não podia voltar a desprezar, como fizera antes dos bombardeamentos de 1999.
Apoiado por 18 partidos, coligados na DOS (Oposição Democrática Sérvia) e por uma união sindical, Kostunica conseguiu que Milosevic tivesse apenas apoios no Partido Socialista. Ao contrário de Vuk Draskovic, refugiado no Montenegro depois de ter escapado a dois atentados, Kostunica enfrentou Milosevic sem temores, apesar das ameaças e perseguições. Assim, nas eleições de 24 de setembro, este nacionalista anti-comunista venceu Milosevic, que não reconheceu, no entanto, essa derrota eleitoral. Esta intransigência de Milosevic desencadeou assim uma onda de contestação social e política crescentes na então Jugoslávia, mergulhada numa crise económica cada vez mais profunda, criando condições para um cenário de insurreição civil.
Respeitado pela comunidade internacional, que sempre viu neste político a mais forte e segura possibilidade democrática de derrubar a ditadura sangrenta de Milosevic, de forma a desbloquear o processo de paz nos Balcãs, Kostunica conseguiu capitalizar em seu favor e da DOS a onda de descontentamento contra Milosevic. Foi precisamente às 19h00 do dia 5 de outubro de 2000 que Kostunica, no auge de uma revolução nas ruas de Belgrado contra Milosevic e reclamando a vitória da DOS nas eleições de setembro, gritava bem alto perante mais de meio milhão de pessoas "Boa tarde, Sérvia libertada", com o povo a responder, "Kostunica, salva a Sérvia do manicómio!". Começava a carreira presidencial de Kostunica e da Jugoslávia democrática, num caminho difícil de percorrer e sempre abalado por crises étnicas várias e problemas de fronteira. Com a crise do Kosovo ainda por resolver, Kostunica viu-se a braços com a afirmação da Jugoslávia como democracia e como Estado de direito na comunidade das nações, para além dos problemas dos cidadãos sérvios minoritários no Kosovo e com a ameaça crescente de independência da república do Montenegro da Jugoslávia.
A 3 de março de 2004 - após a vitória do Partido Democrático da Sérvia, embora sem maioria, nas eleições parlamentares de dezembro do ano anterior -, Vojislav Kostunica tomou posse como Primeiro-Ministro da Sérvia.
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