Wilder Penfield

Neurocirurgião norte-americano, Wilder Graves Penfield nasceu a 26 de janeiro de 1891, em Spokane, estado de Washington, e faleceu a 5 de abril de 1976, em Montreal, no Quebeque.
Proveniente de uma família de médicos, Wilde Penfield concluiu o bacharelato em Letras, em 1913, pela Universidade de Princeton. Depois, obteve uma bolsa de estudo na Universidade de Oxford, onde contactou com duas figuras de referência para a sua carreira, Sir William Osler e Sir Charles Sherrington. Em 1918, formou-se em Medicina pela Universidade Johns Hopkins, tendo continuado as suas experiências em neurologia e neurocirurgia com Charles Sherrington, no Hospital Nacional, em Londres. Durante alguns anos, aperfeiçoou a sua técnica neurocirúrgica em Nova Iorque, Madrid e Breslau (Alemanha). Em 1928, juntamente com William Cone, empenhou-se na fundação do Instituto de Neurologia de Montreal, no Canadá. Penfield obteve a ajuda da Fundação Rockefeller e o Instituto entrou em funcionamento, em 1934, dedicando-se ao estudo do cérebro humano e recebendo estagiários de todo o mundo que pretendiam conhecer as novas técnicas usadas pela equipa que dirigia. Foi docente na Faculdade de Medicina da Universidade McGill e trabalhou no Montreal General Hospital e no Royal Victoria Hospital. Em 1960, aposentou-se e entregou-se à escrita.
Wilder Penfield, considerado um dos maiores neurocirurgiões do século XX, foi um pioneiro no tratamento cirúrgico da epilepsia e da fisiologia do cérebro humano. Juntamente com Herbert Jasper, Penfield tratou doentes com epilepsia grave, destruindo os neurónios do cérebro, onde os ataques epiléticos surgiam, ficando esse método conhecido por "procedimento de Montreal". Antes de operar, o cérebro era estimulado com impulsos elétricos, mantendo os doentes conscientes sob anestesia local, o que permitia observar as suas respostas aos impulsos provocados. Desta forma, conseguia localizar com mais precisão as zonas cerebrais responsáveis pela epilepsia, reduzindo os efeitos secundários durante a cirurgia. Esta prática permitiu também elaborar mapas dos córtices sensorial e motor do cérebro, mapas que apresentam as ligações dos córtices aos diversos membros e órgãos do corpo e que continuam a ser usados em medicina na sua forma quase original. Penfield descobriu que, ao estimular o córtex temporal com impulsos elétricos, podia relembrar momentos e emoções vividas que se encontravam gravadas neurologicamente. Wilder Penfield debruçou-se também sobre as funcionalidades da mente.
O neurocirurgião publicou artigos e livros científicos e de ficção dos quais se destacam Epilepsy and the Functional Anatomy of the Human Brain (1951), No Other Gods (1954), The Torch (1960), a coleção de ensaios The Second Career (1963) e The Mystery of the Mind (1975). Recebeu vários prémios, tais como a Medalha Jacoby (1953), a Medalha Lannelongue (1958), o Prémio Starr (1965) da Associação Médica Canadiana, a Medalha de Ouro (1968) da Real Sociedade de Medicina, em Londres. Foi condecorado com a Ordem de Mérito (1953) e o título de Companheiro da Ordem do Canadá (1967).
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