William Vance

Autor de banda desenhada, ilustrador, publicitário e pintor, William Van Cutsen nasceu a 8 de setembro de 1935, em Anderlecht (Bélgica), oriundo de família flamenga. O pseudónimo literário (Vance) deriva da abreviatura do seu apelido, Van C.
Teve formação artística na Real Academia de Belas Artes de Bruxelas, onde ingressou com 15 anos, resultado natural do seu talento para desenhar.
Profissionalmente começou por trabalhar em publicidade durante seis anos, quando a ilustração era o principal suporte dos muitos reclames que concebeu. O desejo de fazer banda desenhada (BD) já vinha de longe e, sentindo-se mais seguro, depois de múltiplos contactos com a publicidade e as artes gráficas, ingressou na revista Tintin, em 1962. Começou por ilustrar contos e romances, e fazer pequenas histórias completas de 4 páginas em BD, sobre factos ou personalidades com argumentos de diferentes autores.
Dois anos mais tarde (1964) decidiu avançar com a criação do seu primeiro herói, Howard Flynn, marinheiro inglês de finais do século XVIII a quem são confiadas importantes missões. A escolha desta temática deve-se ao grande interesse do autor pelos grandes barcos à vela. De Howard Flynn existem 7 histórias, todas sob argumentos de Yves Duval.
Em 1965 criou Ringo, um western protagonizado por um solitário aventureiro que se dedica a resgatar bens perdidos ou roubados das diligências da mítica Wells-Fargo. Existem 6 histórias de Ringo, de início com argumentos do próprio Vance, depois de Jacques Acar, de Yves Duval e de André-Paul Duchâteau.
Em 1967 foi convidado por Michel Greg, então chefe de redação da revista Tintin, para fazer curtos episódios de uma espécie de James Bond, Bruno Brazil, sob argumentos do próprio Greg, que assinou como Louis Albert. O êxito obtido levou à continuação da série em histórias mais longas, tendo Bruno Brazil, conhecido como o agente de nervos de aço, constituído uma equipa ao género de "Missão Impossível": a Brigada Caimão.
Bruno Brazil foi uma das séries mais populares da revista nos anos 70 e as suas histórias estão reunidas em 11 álbuns.
Ainda em 1967 foi convidado pela revista feminina Femmes d'Aujourd'hui a desenhar Bob Morane, adaptando à BD as populares histórias escritas por Henri Vernes. Tal facto proporcionou a Vance passar a trabalhar em dois periódicos simultaneamente, dando-lhe maior autonomia criativa. Bob Morane foi uma série muito fantasiosa que lhe possibilitou variar o tipo de desenho, dado que os elementos da "Patrulha do Tempo" ora estavam na Idade Média ora num futuro pós atómico. Vance trabalhou na série até 1979, realizando um total de 18 episódios, tendo antes sido colaborador de Dino Attanasio, um anterior desenhador de Bob Morane, para quem desenhou os cenários dos episódios Le Collier de Civa e Bob Morane Contre la Terreur Verte, em 1962.
Na revista Femmes d'Aujourd'hui, onde dispôs de grande liberdade criativa, William Vance ilustrou, entre 1969 e 1970, SOS Nature/La Nature et Vous, série de painéis didáticos sob textos de M. Colinon. Entre 1971 e 1972 apresentou, com Coria, um episódio de Mongwy, um western com argumento de Lucien Meys, com quem também criou Rodric, em 1973, curta série medieval de dois episódios, passada na Terra Santa no tempo das Cruzadas.
Em 1974 o autor dedicou-se a uma outra série medieval, Ramiro, passada na Península Ibérica do tempo da reconquista sob alguns argumentos de Jacques Stoquart. O personagem é filho bastardo do rei de Castela. Esta série tem 9 álbuns editados e algum material inédito, publicado originalmente na revista.
Ainda na Femmes d'Aujourd'hui criou a solo Bruce J. Hawker, em 1976, uma nova saga marítima datada de 1800, na época das grandes batalhas do período de Lord Nelson e, tal como Howard Flynn, o herói é um oficial da Marinha de Sua Graciosa Majestade. Dos 7 álbuns da série alguns tiveram argumentos de André-Paul Duchâteau.
Finalizando a colaboração com a Femmes d'Aujourd'hui, em 1983 o autor criou XHG-C3, curtas histórias de ficção científica totalmente idealizadas por si e com coloração direta a aguarela.
Em 1984 criou, com Jean Van Hamme (argumentista), o misterioso XIII, um verdadeiro campeão de popularidade.
XIII começou a ser publicado na revista Spirou e é um fenómeno de culto, com dezasseis álbuns publicados.
Participou também num ciclo paralelo da mítica saga do velho oeste americano, criado por Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, Marshal Blueberry, para o qual fez os desenhos de dois episódios, saídos diretamente em álbum em 1991 e em 1993, ambos sob textos de Jean Giraud.
Quando não está a preparar um novo álbum, William Vance aproveita para se dedicar à pintura, fazendo quadros a óleo, como acontece com algumas das capas dos álbuns, e aguarelas. Das suas pinturas muitas são relacionadas com as suas criações em banda desenhada e depois são reproduzidas em serigrafias, ex-libris e posters, muito procuradas pelos colecionadores.
Vivendo em Espanha desde 1979 com a esposa, Petra, a colorista das suas histórias, os filhos e netos, William Vance apresenta uma abundante obra, marcada pelo seu traço nervoso e preciso, que é única no panorama da BD realista europeia.
As suas editoras de sempre, a Lombard e a Dargaud, têm procurado disponibilizar toda a sua obra ao público, com reedições e apresentação de inéditos, como tem acontecido com Bruno Brazil (reeditado entre 1995 e 2001), Bob Morane (reeditado entre 1995 e 1999) e Tout Vance, coleção que inclui as pequenas histórias completas, as ilustrações inéditas e todos os episódios de Howard Flynn, Ramiro, Rodric e Ringo (coleção editada desde 2001).
Como referenciar: William Vance in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-04 09:32:06]. Disponível na Internet: