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Barroco Joanino

As várias vertentes da produção artística ao longo do reinado de D. João V receberam a designação genérica de Barroco Joanino. Contudo, este extenso período de 44 anos, apesar de se consubstanciar em torno da figura do Magnânimo e da sua política absolutista, não apresenta uma homogeneidade de correntes artísticas. Nesta classificação abrangente integram-se diferentes manifestações da arte barroca setecentista.
Caracterizando o reinado de D. João V, podemos afirmar que este foi marcado por um longo período de paz, após as desgastantes lutas da Restauração. O tempo de D. João V coincide com o despertar do ciclo económico do ouro e dos diamantes do Brasil, mais-valia preciosa que incrementará uma renovadora política de mecenato de grandes edificações, quer de patrocínio da Coroa, quer ainda de iniciativa do Clero e da alta nobreza. Esta opulência e enriquecimento refletiu-se no aparato e na monumentalidade das obras de arte, concebidas numa triunfante linguagem barroca.
No campo artístico, a procura de uma encenação grandiloquente do poder foi acompanhada por uma abertura e pelo estabelecimento de contactos com tratados, obras de arte e artistas estrangeiros. Isto traduziu-se numa clara influência do Barroco internacional, sobretudo a partir do segundo quartel do século XVIII, altura em que a severidade característica do Barroco Nacional vai cedendo lugar à renovada linguagem deste Barroco estrangeirado.
Frontaria do Convento de Mafra, um belo exemplo do estilo barroco joanino
No entanto, a arte portuguesa entra também em contacto com o vocabulário inovador do rocaille, o que não permite uma clareza absoluta do Barroco durante o período joanino. Esta coabitação de tendências do Barroco português resultou da influência de sensibilidades diversas. Itália foi uma dessas influências marcantes, quer pela importação de obras, de gravuras e tratados, quer ainda pela presença ativa de artistas italianos ou formados em Itália, como foram os casos de Nicolau Nasoni, Domenico Duprà, Vanvitelli ou João Frederico Ludovice. A Academia Portuguesa de Roma foi um alfobre de artistas nacionais que colheram as lições do barroco italiano. A outra vertente marcante no período do barroco joanino proveio da França, embora a sua maior influência se tenha manifestado no mundo cortesão, ao nível do comportamento social, do luxo da moda e da etiqueta mundanas. Ainda assim, artistas como Quillard, Claude Laprade ou Germain deixaram a indelével marca das suas requintadas produções.
A corrente de renovação assolou todo o país e manifestou-se nas mais diversas produções artísticas. A arquitetura, a escultura e a pintura, bem assim como as artes decorativas - mobiliário, ourivesaria e, sobretudo, a talha e o azulejo -, foram incrementadas e personalizadas por uma vasta plêiade de artistas portugueses e estrangeiros. Este Barroco Joanino, marcado pela grandeza e ostentação das suas arquiteturas e pelo excesso dinâmico da turgidez decorativa, manifestou-se nos diversos empreendimentos arquitetónicos do Magnânimo, destacando-se a Igreja do Menino Deus e a magnífica Capela de S. João Batista de S. Roque, ambas em Lisboa, os surpreendentes Clérigos e a Misericórdia do Porto, a riqueza da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra e a emblemática e monumental obra do Palácio-Convento de Mafra.
O triunfo do Barroco Joanino conferiu uma expressiva teatralidade de atitudes e gestos à escultura em madeira e pedra, enquanto a arte da pintura assimilava o colorido excessivo e a lição das pinturas em perspetiva e de ilusão, cobrindo os tetos e cúpulas dos templos e palácios setecentistas. No capítulo das artes decorativas, para além das excelentes obras de ourivesaria de influência italiana e francesa, uma harmonia em azul, branco e dourado apossou-se da talha e do azulejo, duas das áreas artísticas que atingiram uma originalidade maior. Os interiores dos templos religiosos foram inundados por uma dinâmica e excessiva onda dourada de talha, contrastando harmoniosamente com o azul e branco dos tapetes de azulejaria, revestindo as paredes com a sua temática de episódios religiosos e profanos.
Não se concretizando especificamente como um estilo artístico, o Barroco Joanino teve o grande mérito de se abrir às influências das correntes internacionais, amalgamando-as com a tradição artística das oficinas nacionais e produzindo algumas das mais emblemáticas obras da arte portuguesa.
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Como referenciar
Porto Editora – Barroco Joanino na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-06-27 22:59:43]. Disponível em

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