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Comunidade do Caldeirão

A Comunidade do Caldeirão da Santa Cruz do Desterro nasceu no sertão do Cariri, no Ceará, na região do Nordeste do Brasil. Foi fundada em 1926 pelo beato José Lourenço e foi totalmente destruída passados 10 anos, em setembro de 1936 pela a Polícia Militar cearense. Nos anos 20, o beato José Lourenço era um pregador analfabeto que acabou sendo perseguido pela polícia. O beato acabou por encontrar proteção junto de uma outra figura emblemática do Nordeste brasileiro: o Padre Cícero Romão Batista. O padre Cícero pregava na cidade do Juazeiro Norte onde aí chegara em 1872, por altura da grande seca de 1870-1880. Era um homem instruído e que influenciou bastante a atuação do beato José Lourenço. Crucial foi a doação que o Padre Cícero fez ainda em vida, ao beato José Lourenço de uma propriedade sua. Aí foi fundada a Comunidade do Caldeirão juntamente com 500 famílias, vindas de todo o Nordeste, atraídas pela pregação do beato. Pontos fortes dos seus ensinamentos eram a igualdade e a inter-ajuda, a propriedade comunitária e a autossuficiência. O projeto foi tão bem sucedido que durante dez anos, as condições adversas do sertão eram superadas pelos habitantes do Caldeirão. Construíram as habitações, a igreja, a escola e cultivavam os campos, criavam gado bovino e caprino e fabricavam os objetos para trabalhar. Juntamente com o charque, vendiam nas povoações vizinhas do Juazeiro e do Crato objetos de artesanato. Com o produto da venda compravam bens essenciais que não podiam produzir.
O modo de vida da Comunidade do Caldeirão acabou por despertar o interesse dos fazendeiros da região, que com o passar do tempo começaram a ter dificuldades em encontrar mão de obra barata e abundante. Seguiu-se uma campanha acesa contra a comunidade do Caldeirão acusada de práticas comunistas. O Brasil era governado, nesta ocasião por Getúlio Vargas (1937-1945) que mantinha uma política ativa contra o Comunismo. Sob pretexto de que o Caldeirão era um reduto de rebeldes armados, a Polícia Militar do Ceará comandada pelo capitão Bezerra, destruiu por completo, em setembro 1936, a Comunidade do Caldeirão. A localidade do Caldeirão foi completamente arrasada, mas contrariamente ao que se dizia, não foram encontradas armas ou qualquer outro indício de sublevação desta comunidade. Os poucos sobreviventes, incluindo o beato José Lourenço fugiram para fundar na Chapada do Araripe, no Ceará uma nova comunidade. Desta vez, as ideias pacifistas não vingaram e os sertanejos muniram-se de armas primitivas para se defenderem do ataque que sabiam certo. A polícia cearense e o exército destruíram, mais uma vez o reduto dos resistentes do Caldeirão. Pela primeira vez na história do Brasil, foram utilizados meios aéreos num combate, que se saldou por uma elevada mortandade. Mais uma vez, o beato José Lourenço conseguiu fugir ajudado por alguns dos seus fiéis seguidores. Refugia-se em Pernambuco sua terra de origem. A censura vigente durante o governo de Getúlio Vargas não deixou que estes acontecimentos tivessem um alcance significativo.
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Como referenciar
Porto Editora – Comunidade do Caldeirão na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-07-01 11:36:24]. Disponível em

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