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Conímbriga

Situada nas proximidades da vila de Condeixa-a-Nova, a estação arqueológica de Conímbriga foi um antigo aglomerado populacional do Neolítico, habitado ainda na Idade do Ferro, antes de ser conquistada e romanizada no século II a. C. As ruínas romanas de Conímbriga são famosas pelas suas casas, jardins e mosaicos policromos, para além da grandiosa muralha, das suas termas e dos restos do seu Fórum. Os vestígios materiais ali encontrados provam a sua origem pré-romana, assim como o próprio topónimo - de origem celta, significa "lugar alto e rochoso" e "lugar fortitificado", como a realidade bem o demonstra. O agregado urbano de Conímbriga integrava a circunscrição administrativa da Lusitânia - que se localizava entre os rios Douro e o Guadiana -, no centro da via que ligava Bracara Augusta (Braga) a Olisipo (Lisboa).
No início do século I d. C., sendo Augusto chefe do vasto Império Romano, Conímbriga transfigurou-se numa bonita, confortável e desenvolvida cidade, com belas casas, termas públicas e um Fórum. Este centro administrativo seria objeto de remodelação nos finais da primeira centúria, substituído por um outro de maiores dimensões, ao mesmo tempo que a urbe era elevada à categoria de município.
Todavia, o século II d. C. reservaria desagradáveis eventos. A ameaça provinha do Norte e partia dos povos bárbaros - Alanos, Vândalos e Suevos. Para se defenderem, os cidadãos de Conímbriga decidem edificar uma segunda linha de defesa. Como a pedra escasseasse, resolveram demolir a parte externa da malha urbana. Assim, casas, monumentos e estátuas foram destruídos e a sua pedra reutilizada para se erguer a nova muralha.
Aspeto da cidade de Conímbriga
Ruínas da cidade de Conímbriga
Vestígios da presença dos Romanos na Península Ibérica.
Contudo, os últimos dias de Conímbriga ainda não tinham chegado e a cidade pôde, momentaneamente, respirar de alívio. Corria o ano de 465 quando os Suevos chegaram às portas de Conímbriga. Três anos mais tarde conquistaram a cidade, que entra rapidamente em declínio. Sem interesse económico e estratégico, os seus derradeiros habitantes abandonam-na no século VII. Com eles seguiu o bispo e o próprio nome, trasladados para Aeminium - a atual cidade de Coimbra.
Longo tempo esquecida, Conímbriga voltou a reaparecer nos finais do século XIX, graças ao labor de estudiosos e arqueólogos como Filipe Simões, António Augusto Gonçalves, Vergílio Correia, Bairrão Oleiro ou, mais recentemente, Jorge e Adília Alarcão.
Com o espólio recolhido nas diversas campanhas arqueológicas constituiu-se o Museu Monográfico de Conímbriga, fundado em 1962 e reaberto em 1985, totalmente remodelado. Dividido em duas salas, este museu conta-nos, a partir dos seus vestígios materiais, a história dos homens que habitaram Conímbriga. Na primeira sala observam-se os objetos ligados à circulação monetária no Império Romano, bem como alguns tesouros de moedas, para além de secções ligadas aos ofícios e às artes da comunidade urbana. A segunda sala revela-nos a reconstituição do centro administrativo da cidade, o Fórum flaviano, ao mesmo tempo que expõe belíssimos mosaicos, estuques e pinturas murais, demonstrando a grande beleza que os romanos colocavam na decoração do interior das suas casas. Por último, esta ala é encerrada por um mundo mais íntimo e pessoal, um espaço divinizado, que apresenta lápides funerárias e inscrições votivas, dirigidas às diversas divindades.
No entanto, Conímbriga revela outros tesouros. Ao deambularmos pelas artérias das suas ruínas, deparamos com os bairros de residências coletivas ou individuais - com realce para a Casa Cantaber, a maior da cidade e uma das maiores do mundo romano ocidental, dotada de termas próprias, ou para a Casa dos Repuxos, na parte externa da muralha, de grande requinte e beleza artística, transmitida pelos seus jardins e pelos seus magníficos mosaicos policromos, com motivos florais, mitológicos ou geometrizantes. Para além da pesada muralha, podemos ainda contemplar os empreendimentos públicos da cidade, como o aqueduto, que transportava a água da nascente de Alcabideque, a cerca de 3 km, ou as canalizações em chumbo, que faziam chegar a água aos diversos domicílios. Nota-se ainda a rede de esgotos e os edifícios públicos, como os restos da Basílica, do Anfiteatro ou do Fórum.
Monumentalidade, solidez, equilíbrio e sentido prático são alguns dos atributos da arte romana, virada essencialmente para a vida social e cultural da cidade. Conímbriga é um reflexo dessa harmoniosa linguagem artística.
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Como referenciar
Porto Editora – Conímbriga na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-05-16 20:25:24]. Disponível em

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