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Contos

Coletânea de 10 narrativas, em parte originalmente publicadas em folhetins no Comércio do Porto, enquadráveis no género do conto edificante, de extração rural ou tradicional, na linha de Os Contos do Tio Joaquim, de Rodrigo Paganino, ou de Serões na Província, de Júlio Dinis. "O milagre" é a história exemplar de uma injustiça social evitada por uma intervenção aparentemente sobrenatural, que, embora desmontada pelo narrador, resulta num "milagre" para os que dele beneficiam; o mesmo sucede em "O cruzeiro da Via Sacra", onde o narrador desmente qualquer intervenção do transcendente, mas admite ver no desfecho "o dedo de Deus". As preocupações humanitárias surgem em "A boneca", espécie de alegoria em que o percurso decadente de uma bonita boneca, que passa de mão em mão até ser atirada para a valeta, já mutilada e esfarrapada, simboliza a mulher degradada, destinada à "vala comum", "boca-de-lobo em que se somem os pobres". Não faltam também intrigas sentimentais, como as de "A doida de Tagilde" ou "Meigo". O estilo é predominantemente sóbrio e coloquial, caracterizando-se pelo uso da linguagem popular e pelas constantes intromissões do narrador e interpelações ao leitor ("Tome fôlego, leitor!... Olhe que ainda temos a subir mais dois lanços de escada. Até que afinal!... Faça favor de entrar." in "A figa de azeviche").
Alexandre Herculano elogiou estas "narrativas singelas de cousas simples, das peripécias vulgares da vida humilde". Alguns dos contos conheceram uma certa projeção internacional, como foi o caso de "Meigo", publicado em versão francesa no Le Figaro, e de "A quina de espadas", traduzido para o alemão.
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Como referenciar
Porto Editora – Contos na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-07-03 13:38:38]. Disponível em

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