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Demanda do Graal (tradição)

O Santo Graal foi o nome dado ao cálice que Jesus Cristo terá usado na Última Ceia e que, segundo algumas fontes, terá sido guardado por José de Arimateia, que nele recolheu e guardou algum sangue de Cristo durante a Crucificação. O Santo Graal representa a morte de Cristo, a Última Ceia e a Eucaristia. Num sentido último, o Graal simboliza a plenitude interior, o renascimento e o conhecimento do homem e da sua evolução.
Segundo a lenda, José de Arimateia terá levado o Santo Graal para Inglaterra, no ano de 63, tendo depois o cálice desaparecido. Também foi dito que o cálice tinha sido trazido por anjos que o haviam confiado à guarda de um conjunto de cavaleiros que guardavam a relíquia no alto de uma montanha. O Santo Graal desaparecia sempre que se aproximasse dele alguma pessoa que não fosse completamente pura.
O mito do Graal poderá ser um desenvolvimento dos mitos celtas pré-cristãos, pois o caldeirão de Dagda, o deus-druida, tal como o Graal, simboliza a abundância de alimento físico e espiritual. Na tradição da Távola Redonda, o Graal tinha o poder de dar a cada um o prato de carne da sua preferência, metáfora de um significado mais profundo de abundância, em que, entre os poderes do Graal, se encontravam o de alimentar e dar a vida, o de esclarecer espiritualmente e o de tornar invencível. Em algumas versões da Demanda do Graal, a taça era identificada como um livro, no sentido da Palavra Perdida ou da sabedoria só acessível aos iniciados.
No fim do século XII, o trovador Robert de Boron inventou que o druida Merlim, fundador da Demanda do Graal, terá criado a Távola Redonda em substituição da mesa onde José de Arimateia tinha colocado o Graal, uma mesa redonda para evitar atritos com as regras de precedência. A Távola Redonda sentava 150 cavaleiros: 100 trazidos pelo Rei Laudegraunce; 28 trazidos por Merlim; Gawain e Tor indicados pelo Rei Artur e os restantes 20 lugares à disposição de cavaleiros que merecessem a honra, provando a sua valentia em muitas aventuras, entre as quais na Demanda do Santo Graal. Existia ainda um lugar, o Lugar Perigoso (Siege Perilous), destinado ao cavaleiro que encontrasse o Graal. Daquele último grupo de cavaleiros fizeram parte, entre outros, Galahad, Gawain e Lancelot, o mais famoso dos cavaleiros da Távola Redonda, a quem foi recusado o Graal pelo seu adultério fictício com Elaine, filha de Peles, o guardião do Graal, magicamente transformada em Guinevere, e de quem nasce Galahad, o cavaleiro escolhido para alcançar o Graal.
A história do Santo Graal foi pela primeira vez mencionada e escrita por Chrétien de Troyes, no seu romance incompleto Perceval, ou o Cavaleiro do Graal (1180). Nesta obra, o Graal é um prato de ouro cravejado de pedras das mais preciosas que existem sobre a terra e no mar e é transportado por uma belíssima donzela. Alguns anos depois, Geoffroy de Monmouth refere o cálice no ciclo do rei Artur, entre 1135 e 1150, e R. Wace evocou a Távola Redonda de Artur e dos seus cavaleiros em 1155. Wolfram von Eschenbach veio a escrever sobre o Graal em Parzival (1205) e em Demanda do Santo Graal (1225-1230).
O mito do Santo Graal esteve presente através dos tempos, fazendo parte do imaginário cristão ao longo dos séculos e alimentando muitas histórias sobre a sua localização em algumas das catedrais da Europa.
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Como referenciar
Porto Editora – Demanda do Graal (tradição) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-09-26 00:59:13]. Disponível em
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