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depressão

Em termos psicológicos, fala-se em depressão sempre que um sujeito sente uma perda do amor de um objeto significativo. É caracterizada por um abatimento geral, uma diminuição da energia vital, inércia, dificuldade em pensar e uma falta de interesse pelo mundo que o rodeia.
Para Karl Abraham, a depressão no adulto é uma reativação de uma depressão que surgiu na infância, por fatores relacionados com a criança se sentir menos amada pelo pai ou pela mãe ou perante uma desilusão ou um abandono afetivo (depressão primária).
Para Bobing, existe uma baixa autoestima, que para ele é o segundo sintoma mais importante na depressão, sendo o primeiro sintoma o abatimento geral. A depressão está associada a um amor não correspondido ou no caso da pessoa amada gostar menos ou não gostar da mesma maneira. O depressivo dá geralmente mais amor do que aquele que recebe, é a chamada economia depressiva. Sempre que a pessoa está deprimida é porque tem uma perda de amor afetiva. Quando se é bem amada na infância tem-se reservas suficientes para se enfrentar melhor uma perda afetiva, o que evita ficar deprimido.
Podemos distinguir três tipos essenciais de depressões:
- Depressão reativa ou depressibilidade, isto é, a capacidade de alguém se poder deprimir como consequência a uma reação vivida em casos de frustrações e deceções da vida ou perda de um objeto significativo, por exemplo em caso de luto.
- Depressão patológica - existe uma depressão patológica quando a depressão é muito prolongada e muito intensa. O objeto depressígeno é também objeto desvalorizante, culpabilizante e controlador. Na tentativa de explicar a perda afetiva, o indivíduo tem tendência a desvalorizar-se e a culpabilizar-se (no caso de mal amado na infância), quando é bem amado, há sentimentos de revolta e sentimentos de culpabilização do outro. Nesta perda o sujeito sente que perde também um pouco de si mesmo, já que o objeto perdido é visto como um prolongamento de si próprio.
- Depressividade - trata-se de depressividade em caso de personalidade de traços depressivos. São casos onde há um conflito interno. Faz parte da natureza do sujeito a sua personalidade depressiva. Estas pessoas são habitualmente submissas, facilmente obedecem aos valores e interesses dos outros, têm uma conduta geralmente masoquista, são bastante apreciados socialmente e muito generosos. O masoquismo é uma defesa contra a depressão, pois o indivíduo submisso é quase sempre bem aceite pelos outros.
Causas mais profundas para a existência de uma depressão primária:
- A pessoa que presta os cuidados do bebé sofre de depressão e não responde ao apelo do bebé.
- Mãe ou prestadora de cuidados a passar uma fase de luto.
- Falta de atenção e de afeto.
- Tratamento mais perturbado com o bebé por expectativas goradas.
- Discriminação entre filhos.
- Pais muito controladores.
- Pais que fazem tudo à criança e não a deixam tomar iniciativas e explorar o meio. Facilitar é frustrar e é altamente bloqueante para a criança.
Na síndroma depressiva existem algumas manifestações fundamentais tais como humor deprimido, lentificação psicomotora, incapacidade de concentração e autodesvalorização. Existem também algumas manifestações acessórias, as manifestações físicas, que podem ir desde sonolência ou insónia, já que existem sempre alterações do sono, bem como alterações do apetite, perda de peso e até anorexia, mal-estar geral, irritabilidade, diminuição de energia, cansaço e fadiga.
As manifestações psíquicas passam por alucinações e confusão mental a pensamentos de morte ou tentativas de suicídio.
Na depressão encontra-se um sentimento de peso e de sobrecarga, devido ao excesso de culpa e de culpabilidade, provocado pela existência de um superego rígido, acusador e implacável, herdeiro do objeto externo ou resultante da interiorização desse objeto (imago parental).
Assim, a estrutura psíquica da depressão define-se pela existência de um self deprimido e de um superego cruel. Existe, portanto, um binómio depressivo: baixa vitalidade do self e opressão do objeto interno.
A depressão anaclítica é uma depressão infantil precoce que representa um severo prejuízo no desenvolvimento físico e psíquico das crianças vítimas de abandono e/ou negligência. Esse tipo de depressão infantil e precoce foi descrita pela primeira vez por Spitz, que a descrevia como um quadro de perda gradual de interesse pelo meio, perda ponderal de peso, comportamentos estereotipados (tais como balançar-se a si mesmo) e, eventualmente, até a morte.
A depressão endógena é a denominação antiga para a depressão biológica, ou seja, com fatores internos. Seria a depressão que não depende exclusivamente da situação vivencial da pessoa, mas sim dos elementos da sua personalidade. Em contrapartida, teríamos a depressão exógena (ou neurótica), dependente das circunstâncias da vida, aparecendo como uma reação depressiva da pessoa a fatores externos. Atualmente já não se faz essa distinção (endógena/exógena) com o mesmo entusiasmo de antigamente. Muitos psicólogos não aceitam esta distinção, considerando que a maior parte das depressões são uma reação a algum transtorno no mundo real ou imaginário do indivíduo. Outros estudiosos destacam a importância dos fatores genéticos como determinantes de todas as reações depressivas.
O tratamento médico depende da intensidade dos sintomas e dos problemas que a doença origina. De qualquer forma, tratando-se de depressões leves ou mais graves necessitam de tratamento médico, geralmente medicamentoso (com medicação antidepressiva), ou psicoterapia, ou a combinação de ambos, de acordo com a intensidade da doença.
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Como referenciar
Porto Editora – depressão na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-05-17 18:45:48]. Disponível em

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