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Egito Greco-Romano

Em 332 deu-se a conquista do Egito por Alexandre Magno, que depôs o "último faraó" de estirpe egípcia, Nectanebo. Mas antes de Alexandre Magno invadir o Egito, já o reino do Nilo tivera contactos com povos gregos, pelo menos desde a época saítica (XXVI dinastia, 664-525 a. C.), quer no que respeita a comércio quer à instalação de colonos vindos da Grécia ou mesmo o enfileiramento de mercenários no exército egípcio. A Grécia foi também um aliado natural do Egito face à constante ameaça persa, um perigo comum para ambos os povos. Com efeito, a XXVI dinastia cairia em 525 a. C. precisamente sob o jugo dos Persas liderados por Cambises, que derrotou Pelúsio Psamético, soberano saíta. O Egito transformou-se assim numa satrápia (região administrativa) aqueménida (dinastia persa reinante). O represente desta residia em Mênfis. Os Persas fundaram uma dinastia aqueménida no Egito, a XXVII, até ao reinado de Dário II (424-404 a. C.). Foi um período de revoltas sucessivas contra o dominador, como a de 460 a. C., no Delta, liderada por Inaro, um líbio, com apoio de navios atenienses, sublevação que seria esmagada seis anos depois. O Egito depois de Dário II sairia do domínio persa, em 402 a. C., reinava já na Pérsia Artaxerxes II. Até Alexandre, o Egito estaria sempre envolvido na sucessão de conflitos entre Persas e Gregos. Depois da morte de Alexandre Magno em 323 a. C., o Egito seguiu a sorte do resto do império alexandrino.
Foi então dividido pelos vários diadocos (do grego diadokhos, "o que recebe"), ou seja, os sucessores de Alexandre Magno, que ocupariam o poder no Egito até 304, quando um destes, um general de seu nome Ptolemeu (I), assumiu o título de faraó e o epíteto divino Soter ("salvador", em grego). Apesar de se ter intitulado faraó e assumido a soberania do Egito, pode no entanto ser considerado um diadoco (os diadocos foram todos os generais que sucederam a Alexandre à frente dos destinos do Egito), pois ele próprio pertenceu ao grupo de Alexandre e era um dos seus generais. Governou o Egito até 283 a. C., data da sua morte (o único diadoco que morreu de morte natural...). Quando considerado como um rei, atribui-se-lhe o início da dinastia Ptolemaica, à imagem das congéneres dos Egípcios antigos. Esta dinastia permaneceu no poder até 30 a. C., aquando da queda do seu último soberano, a rainha Cleópatra VII Filopator, a famosa Cleópatra de Marco António e Júlio César. Os Ptolemaicos tentaram a helenização do Egito, com a fundação, por exemplo, de Ptolemaida no Alto-Egipto, por Ptolemeu I Soter (304-283 a. C.) além da nomeação de uma comissão de teólogos para fazer de Serápis uma divindade sincretista greco-egípcia. Já o filho deste, Ptolemeu Filadelfo empenhou grandes recursos na fixação de intelectuais gregos em Alexandria. A cultura grega, porém, confinava-se às cidades, por oposição ao campo, fortemente egípcio e nacionalista. Ao longo do século II a. C., o Egito isolar-se-ia mesmo do mundo pan-helénico.
Os Gregos dividiram o Egito em três epistratégias (regiões): Alto, Médio e Baixo Egito. Os seus governadores tinham poderes militares e civis. Nesta época, o latifúndio ganhou forte expressão no Egito, na posse de gregos, que se tornaram os grande senhores da economia egípcia, apoiados por uma massa enorme de funcionários recoletores das taxas e impostos.
No século I a. C., deu-se a ocupação romana, a partir de 80. Depois da ocupação de Alexandria por Júlio César, deu-se uma revolta na cidade c. 47 a. C., que resultou no incêndio da famosa biblioteca, fundada pelos gregos do período helenístico. Cleópatra VII foi uma figura "fantoche" nas mãos dos Romanos, que reconheceram a autonomia do país mas com alguém sob seu controlo à frente dos destinos nilóticos. Com o suicídio daquela, depois da sua derrota e de Marco António em Ácio (31 a. C.), perante Octávio César Augusto, os Romanos assumiram o controlo direto do Egito. Octávio governou então o país através de um prefeito, seu direto representante. Os Romanos não criaram senados municipais, desencorajando autonomias, seguindo, em boa parte, o modelo administrativo ptolemaico. Além disso, a figura do imperador foi assimilada à conceção divina dos soberanos do Antigo Egito.
Por outro lado, o Egito, apesar de ser rico e o celeiro do mundo antigo, viu os seus recursos exaurirem-se para as mãos dos Romanos, empobrecendo o país. Várias revoltas se sucederam, com o país a entrar numa letargia económica e cultural pronunciadas. Diocleciano (que também perseguiu os cristãos egípcios) ainda aboliu as epistratégias prolemaicas, substituindo-as por cinco províncias, governadas por dux's, com poderes militares; abaixo destes, uma enorme massa de funcionários públicos que mais não faziam do que recolher taxas e impostos. Depois de Teodósio (379-395 d. C.), o Egito passou para o domínio bizantino, ou seja, do Império Romano do Oriente.
Culturalmente, o período greco-romano ficou marcado pela implantação da língua grega (koynè) no país, como língua comercial mas também cultural (oficial até), amplamente estimulada pelo importante centro cultural da Antiguidade que foi a biblioteca de Alexandria, uma cidade aliás que é também um dos maiores legados deste período da história egípcia. Os Gregos estimularam a criação de novas regiões agrícolas, como Fayum, um oásis a oeste do Nilo, onde se produziu uma expressão artística altamente sincrética entre as artes grega e egípcia (os célebres retratos de Fayum). As antigas figuras-kouros (representações escultóricas masculinas) derivam, na aparência, da observação dos Gregos das estátuas egípcias, por exemplo, o que demonstra a importância do Egito na definição das raízes da cultura ocidental. Os Romanos também se impressionaram com o Egito, os seus tesouros, os seus obeliscos, amplamente "importados" para Roma. Promoveram ainda obras de restauro em antiguidades egípcias, como nos Colossos de Mémnon (durante o reinado de Sétimo Severo, 193-211), reforçaram a política cultural ptolemaica, reconstruíram templos que estes edificaram (Philae, Kom Ombo, Dendera...), incorporaram deuses no seu panteão (como o greco-egípcio Serápis), ou então registaram as suas impressões de viagem e delas fizeram eco em Roma. Adriano (117-138, imperador romano, viajou pelo Egito, tendo até mandado fazer um Serapeum (templo em honra de Serápis) na sua villa de Tivoli (villa Adriana). Além de ter fundado uma cidade no Egito, Antinoopólis, em honra de Antínoo, seu amado, falecido em pleno Nilo em 130, durante a viagem de Adriano, morte que desgostou profundamente o imperador. Muitos outros foram os imperadores e individualidades romanas que se impressionaram com o Egito.
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Como referenciar
Porto Editora – Egito Greco-Romano na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-09-25 13:17:14]. Disponível em
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