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Erro Próprio

Na obra de António Maria Lisboa (como na literatura surrealista de um modo geral) a distinção entre poemas e manifestos revela-se artificial, dado o recurso em ambos os discursos a uma linguagem de tipo metafórico, metaforismo que, para Fernando J. B. Martinho (op. cit., 1996, p. 62), "não é senão a face visível da impossibilidade, numa prática literária como a de António Maria Lisboa, de restringir o pensamento, o inteligível aos manifestos e o sensível aos poemas", sendo que tanto a reflexão poética e filosófica podem estar presentes no poema, como o texto argumentativo pode evoluir, sem transição, para o registo poético. Considerado um dos principais manifestos do surrealismo, e situado no ponto de chegada de várias polémicas e ataques entre os grupos surrealistas, o Erro Próprio de que nos fala António Maria Lisboa é o erro surrealista, o equívoco sobre o que deve ser o surrealismo, sobre o caminho que o surrealismo deveria ter tomado. Ora, para António Maria Lisboa, o erro não reside em ter enveredado por uma ou outra perspetiva, mas em os surrealistas não terem visto que "qualquer que seja a conduta humana não é falsa nem verdadeira", e que a essência mesma do surrealismo é a sua absoluta liberdade: "posto a funcionar, [depressa] se criaram as diversas cores Surrealistas (sem no entanto negar os seus princípios... claro!) e de tal forma, e tanto mais feroz, que o Movimento ou passa a ser a cauda dum Pontífice Inadmissível ou cai na ofensa e na querela inútil do EU SOU tu não és, a não ser que outro caminho se tenha adivinhado. E de facto assim foi: LIVRE, nem mesmo um agrupamento de indivíduos Livres pode estar ligado Umbilicalmente. [...] o Compromisso do Poeta é com o AMOR e o ato um ato LIVRE no TEMPO-ÚNICO!" (p. 37).
Considerando a situação do artista, afastado da sociedade dita moderna e civilizada, prostituído numa civilização materialista e condenado a perder a coragem da aventura, a conceção poética apresentada em Erro Próprio nasce da convicção que a "necessidade de expressão total e de total realização, de Amor verdadeiro e Livre", apenas é possível na poesia. O "Pensamento Poético" é "o único com valor porque é o único interessado na Realidade que se nos apresenta num todo e não parcelada." (p. 28), e entendido como ato "essencialmente LIBERTÁRIO (no sentido de libertador) e AMOROSO". A conciliação entre as duas formas de vida aparentemente opostas: a vida imaginativa e a vida prática, a Verdadeira Vida, "conjugação magnífica do Sonho e da Chamada Realidade: a Surrealidade", o conhecimento do absoluto que a "Pura Especulação Racional" não atingiu, só se encontram, de acordo com António Maria Lisboa, por intermédio de uma atividade poética que, num contexto literário em que a literatura do absurdo coexiste com várias estéticas decalcadas do surrealismo, define a sua especificidade por dar uma "exaustiva importância a toda a ação Mágica, que se caracteriza, em oposição à Mística: Impositiva, Transformadora, Sintética, Diabólica, Convulsiva." (p. 53).
Erro Próprio, assenta, deste modo, em duas coordenadas que determinarão a evolução da estética surrealista: por um lado, a postura de total inconformismo que reclama como missão do artista, "Acuado para uma situação de abjeção" (p. 37), "uma crítica permanente das ideias e dos homens, uma liberdade absoluta do Poeta", postura que determinará a assimilação do Surrealismo numa segunda geração e que convoca a noção de Abjeccionismo; e, por outro lado, o acentuar do estatuto do poeta mago, numa homologia entre poesia/atividade mágica e esotérica incompatível com qualquer conceção de literatura consumível ou utilitária.
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Como referenciar
Porto Editora – Erro Próprio na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-08-16 00:00:22]. Disponível em

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