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Giuseppe Terragni

Arquiteto italiano, Giuseppe Ercole Enea Terragni nasceu a 18 de abril de 1904, em Meda, e morreu a 19 de julho de 1943, em Como.
Diplomado pela Escola Superior de Arquitetura do Politécnico de Milão, em 1926, havia efetuado em 1925 uma viagem a Roma e Florença e em 1927 e 1931 realiza viagens de estudo à Alemanha.
Em 1924 conhece o poeta Marinetti, em 1926 Alberto Sartorius e em 1936 Mario Radice e Manlio Rho.
No período 1926-1927, forma o designado Grupo 7, que publica diversos artigos na revista Rassegna Italiana, e que no seu conjunto constituem o Manifesto do Racionalismo Italiano. Este grupo, constituído, além de Terragni, por Luigi Figini, Gino Pollini, Ubaldo Castagnoli (que substitui Adalberto Libera), Guido Frette, Sebastiano Largo e Carlo Enrico Rava, arquitetos milaneses, propõe uma arquitetura moderna radical, que não entraria necessariamente em rutura ou contradição com a herança arquitetónica italiana, remontando à Antiguidade Clássica, mas antes se propunha como nova. Influenciados em grande medida por Le Corbusier e todas as suas ideias e propostas inovadoras, modernas e revolucionárias, bem como pelo visionarismo do movimento futurista, pelos seus princípios e pela sua estética, propõem uma arquitetura rigorosamente fundamentada na lógica e na razão. Este racionalismo difundiu-se sobretudo no Norte de Itália, particularmente em Milão, Turim e Como, epicentro do florescimento económico e industrial, em particular da produção automóvel.
Ao contrário do que sucedera na Alemanha, em que o processo de renovação e revolução na arquitetura antecede a tomada do poder pelo fascismo, e está associado a movimentos de influência socialista, em Itália, tendo o fascismo sido instituído em 1922, o racionalismo é visto pelo poder como instrumento e símbolo de reforma. Essencialmente por esta perspetiva e numa 1.ª fase, Terragni, bem como outros arquitetos que aderem a este movimento renovador, pratica uma arquitetura experimentalista, inovadora, modernista e racional, que, como veremos mais à frente, não rejeita a arquitetura tradicional, estabelecendo com ela paralelos quer a níveis abstratos, quer nos valores intemporais da arquitetura, como a luz, o ritmo, a proporção; as transparências e a tridimensionalidade do espaço constituem uma auto-representação da abertura e solidez do regime. É sem dúvida a experiência mais frutífera da arquitetura ao serviço do Estado.
Entretanto, no período 1928-1933, Terragni e o também arquiteto Marcello Piacentini entram em polémica aberta na defesa de duas ideologias arquitetónicas: a de Terragni e do movimento racionalista em geral, com o apoio político do Estado e uma ampla produção arquitetónica; e a de Piacentini, que se pode classificar como um neoclassicismo monumental, austero e rígido. Com a chegada do fascismo ao poder na Alemanha em 1933, onde as experiências modernistas já em curso foram consideradas subversivas, com a proscrição dos seus arquitetos e com a instituição de uma arquitetura de estado regressiva e clássico-monumental, destaca-se o arquiteto Albert Speer ao serviço do regime nazi, na Alemanha, enquanto que em Itália, Marcello Piacentini ganha terreno na querela com Terragni, transformando-se a partir de 1935 (sensivelmente) no novo arquiteto do regime, bem como a arquitetura por ele defendida.
Profissionalmente, Terragni estabelece-se em 1927 em Como, com o irmão, engenheiro. Em 1930 participa na 1.ª mostra de arquitetura racionalista, em Roma, e em 1933 está ligado ao CIAM de Atenas (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna). Entre 1933-1935 trabalha em parceria com o arquiteto Pietro Lingeri, período de que datam as obras mais importantes e consistentes, na sua maioria na cidade de Como, entre edifícios institucionais, de habitação e outros, como desenho de mobiliário, exposições e monumentos. Em 1940 publica um artigo no Ambrosiano de Como, que atesta a sua militância na arquitetura racionalista.
Em 1939 ingressa no exército, partindo em 1942 para a Rússia como capitão.
A sua obra mais emblemática em todos os aspetos, desde o equilíbrio das proporções à plasticidade comedida, passando pela representatividade urbana, cívica e política, é a Casa del Fascio, Como (1932-1936). Sede local do partido fascista, apresenta com igual importância quer os requisitos formais e estéticos do moderno-racionalismo, quer temas clássicos da arquitetura italiana desde o Império Romano, abordados não de modo literal, mas transpostos num registo abstrato de elementos essenciais.
Igualmente importante é o edifício de habitação Novocomum, Como (1927-1929), sobretudo por se tratar de uma das primeiras obras e que contém já expressas com grande clareza as premissas do racionalismo, de um modo até pouco subtil, quase em jeito de manifesto.
Destaque ainda para uma série de obras em Como que constituem um conjunto e caracterizam um percurso difícil de encontrar com tão grande consistência: a reestruturação da fachada Metropole-Suisse (1927); Monumento aos Caídos, Erba Incino (1926-1932), e um outro na cidade (1931-1933); Infantário Antonio Sant'Elia (1934-1937); e a Casa Giuliani Frigerio (1939-1940) (a sua derradeira obra), entre outras.
De referir ainda a Villa Bianca, Seveso (1936-1937), e, de um conjunto de obras em Milão, a Casa Rustici (1933-1936); a Casa Ghiringhelli (1933-1935); e a Casa Lavezzari (1934-1935).
Apesar da vasta obra edificada, tanto mais atendendo à precocidade da sua morte, muitos outros projetos ficaram sem concretização, sobretudo a partir de cerca de 1937, suplantado que foi o seu expressivo modernismo e delicadeza plástica, pela austeridade regressiva, clássica, monumental e política que varreu parte da Europa nos períodos entre e pós-guerra.
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Como referenciar
Porto Editora – Giuseppe Terragni na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-12-06 04:06:48]. Disponível em
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