Livros e Autores

O Retiro

Sarah Pearse

A Imperatriz

Gigi Griffis

Abelhas Cinzentas

Andrei Kurkov

Início da Derrocada dos Sistemas Políticos Autoritários

Em 1945, os países da Europa Oriental, libertados do domínio germânico pelo Exército Vermelho (Polónia, Checoslováquia, Albânia, Hungria, Roménia e Bulgária), formaram Frentes Nacionais, isto é, Governos de coligação dos quais faziam parte os partidos comunistas desses países.
Com a chegada da Guerra Fria (1947) e o apoio político da União Soviética, os comunistas tornaram-se as forças dominantes desses Estados, que passaram a ser democracias populares. A partir daí, os países de Leste tornaram-se satélites da URSS, numa altura em que se expandia o modelo socialista soviético.
Em 1948, a Jugoslávia enveredou por uma via socialista diferente, cortando as relações com Moscovo. E em 1949 a área alemã, ocupada pelos Soviéticos, foi transformada na República Democrática Alemã (RDA).
A URSS, para concorrer com o bloco ocidental, criou uma estrutura política, económica e militar, baseada num conjunto de organizações que sustentavam a unidade do bloco socialista (em 1947 surgiu o Kominform, em 1949 foi a vez do Comecon e em 1955 foi criado o Pacto de Varsóvia).
A implantação deste modelo exigiu uma nova organização política, conseguida pela nacionalização das fábricas, minas e meios de transporte, pela confiscação dos grandes domínios agrários, pela planificação centralizada e pela supressão dos partidos ou fações rivais. Como na URSS, a reconstrução económica foi conduzida através da aposta nas indústrias pesadas e no armamento, com o prejuízo das indústrias de bens de consumo e dos produtos agrícolas.
As economias destes países tornaram-se complementares da economia soviética, recebendo, em troca, ajuda técnica e financeira.
Com a morte de Estaline (1953) e o início da "desestalinização" surgiram, nas democracias populares, algumas manifestações de resistência à hegemonia soviética. Krutchev aconselhou os partidos comunistas desses países a empreender reformas orientadas para a melhoria das condições de vida das populações.
Face à lentidão das reformas exigidas, em 1953 surgiram movimentos grevistas em Berlim-Leste e, em 1956, na Polónia e na Hungria operários e estudantes em greve desencadearam protestos e tumultos. Os grevistas pediam pão, liberdade e a partida das tropas soviéticas.
Os dirigentes contestados foram substituídos por novos líderes que se comprometeram a implementar as reformas exigidas pelos manifestantes. Com medo do enfraquecimento do mundo socialista, a URSS decidiu enviar tropas para esmagar as insurreições de Berlim e de Budapeste.
O sistema não apresentava sinais de mudança.
A partir de janeiro de 1968, Alexandre Dubcek ensaiou uma experiência de liberalização do regime na Checoslováquia e estreitou relações com o Ocidente. Em resposta a esta abertura "primavera de Praga", as tropas soviéticas invadiram a Checoslováquia (agosto de 1968) e impuseram o retorno aos métodos autoritários.
As tentativas de reformar o sistema político e económico socialista foram um evidente fracasso agravado pela crise petrolífera dos anos 70 do século XX. Mas, apesar do insucesso das reformas, os Governos procuraram apertar o controlo do regime através da censura e da repressão.
No início dos anos 80 surgiram as primeiras crises que verdadeiramente testaram a solidez do bloco de Leste. Na Polónia foi criado o sindicato "Solidariedade" (1980), independente do Partido Comunista, e em 1985 Mikhail Gorbachev iniciou na União Soviética um programa de reformas que se estendeu por todos os países comunistas.
A subida ao poder de Gorbachev significou uma maior abertura e liberalização, com o restabelecimento de liberdades e a repescagem de figuras anteriormente condenadas, a realização de eleições com vários candidatos e o afastamento de políticos corruptos. A partir de então registou-se um esforço no sentido de garantir o sucesso económico do país e no campo da política externa procurou-se uma aproximação ao Ocidente, nomeadamente aos EUA. Desde 1987, os russos estiveram presentes em diversos encontros com os dirigentes norte-americanos que possibilitaram a assinatura de acordos conducentes à redução de armamento e à redução bilateral das forças militares.
As aspirações democráticas dos países socialistas foram compreendidas, permitindo que, em 1989, acontecesse a "primavera de Leste", desencadeada por Gorbachev, que foi a figura central desta reestruturação (Perestroika) assente numa política de transparência (Glasnost). O seu esforço foi reconhecido pela atribuição do Prémio Nobel da Paz em 1990.
Desde janeiro de 1989 o Leste europeu foi arrebatado por fortes ventos de mudança. Os Governos comunistas deram lugar a regimes democráticos, que encetaram reformas económicas e reduziram as forças militares soviéticas nos países do Pacto de Varsóvia.
A queda do Muro de Berlim (a 9 de novembro de 1989) e a unificação alemã (a 3 de outubro de 1990) marcaram o fim de um ciclo iniciado no final da Segunda Guerra Mundial.
Partilhar
Como referenciar
Porto Editora – Início da Derrocada dos Sistemas Políticos Autoritários na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2023-02-06 21:55:30]. Disponível em
Artigos
ver+
Partilhar
Como referenciar
Porto Editora – Início da Derrocada dos Sistemas Políticos Autoritários na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2023-02-06 21:55:30]. Disponível em
Livros e Autores

O Retiro

Sarah Pearse

A Imperatriz

Gigi Griffis

Abelhas Cinzentas

Andrei Kurkov