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Islamismo

Religião fundada por Maomé, o Islamismo conta atualmente com várias centenas de milhões de crentes, espalhados pelo Médio Oriente, pela Arábia, pelo Norte de África e por parte da África Negra, Turquia e Balcãs, Irão, Afeganistão, antigas Repúblicas Soviéticas, Paquistão, Índia, Malásia, Indonésia e China. Há pequenas minorias em países americanos e europeus, em especial na França e na Alemanha.
Toda a vida religiosa dos muçulmanos gira em redor do Corão, com base na memória dos discípulos de Maomé. Para a tradição muçulmana não se pode falar de fontes literárias ou orais do Corão; o seu autor é somente Deus, Alá. As relações de fundo com os livros sagrados anteriores, a Bíblia de judeus e cristãos, explicam-se pelo facto de Deus ter já anteriormente manifestado a revelação a outros profetas, nomeadamente a Moisés e Jesus.
Inicialmente, a propagação do Islamismo fez-se em território de judeus, cristãos e sabeus. Desde o início que a propagação do Islamismo uniu elementos políticos ou comerciais à religião. A rápida expansão inicial do Islamismo constituiu, desde logo, para os muçulmanos, uma prova da proteção divina.
Representação de Maomé, fundador e profeta do Islamismo
Pormenor do texto do Alcorão
A prática religiosa do Islamismo distingue-se pelos vários aspetos que passaremos a enumerar em seguida:
- A profissão de fé, de que falámos anteriormente, resume-se na fórmula "não há outro deus senão Alá e Maomé é o seu profeta". Basta que alguém profira esta frase para ser considerado membro da comunidade muçulmana. Esta profissão impossibilita a passagem ulterior para uma outra religião. A oração ritual é preceituada pelo Corão, devendo realizar-se cinco vezes ao dia em lugar e estado de pureza ritual. A oração consiste numa série de prostrações, na direção de Meca, com a recitação de diversas invocações corânicas, entre as quais o louvor "Deus é grande". A sexta-feira é o dia de reunião dos muçulmanos. Neste dia devem assistir, na mesquita, à oração do meio-dia. A oração de quinta-feira tem também especial solenidade, pelo sermão do imã e pelo elevado número de assistentes. Durante os restantes dias, a oração pode realizar-se em qualquer lugar, desde que sobre esteira e virado para Meca.
- A purificação ritual consiste em abluções da cabeça, pés, mãos, antebraços, partes íntimas e de todo o corpo. O estado de pureza conseguido pelo ritual referido anteriormente perde-se pela realização de determinados atos fisiológicos.
- A esmola legal é obrigatória segundo o Corão. Esta esmola, embora seja aduzida como fundamento do socialismo islâmico, tem sobretudo o carácter religioso de cumprimento de obrigação imposta por Deus no Corão.
- O jejum e as proibições alimentares impostas pelo Corão no mês do ramadão consistem em não comer, não beber, não cheirar perfumes e abster-se de relações sexuais desde o amanhecer até ao anoitecer. As repercussões sociais deste jejum religioso são muito peculiares dos países de maioria muçulmana; caracterizam-se por diversas festas públicas e prolongadas reuniões familiares após o anoitecer. As proibições consistem em não ser permitido comer carne de porco nem ingerir bebidas alcoólicas, no entanto as infrações são muito frequentes.
- A peregrinação a Meca, pelo menos uma vez na vida, é obrigatória a todo o muçulmano que tiver idade e meios para a realizar.
- A circuncisão, embora seja um rito associado ao islamismo, não está mandada pelo Corão nem é obrigatória.
- Por último, a Guerra Santa contra os infiéis enquadra-se dentro do ideal de submeter todo o mundo ao povo de Deus, incumbe a toda a comunidade e, em certa medida, também aos muçulmanos enquanto indivíduos.
Resumindo, os princípios que regem o islamismo provêm das prescrições do Corão, das tradições do profeta, das normas dos teólogos e doutores, dos costumes locais e da reta razão ou do sentido comum. Retenha-se ainda que, apesar de divididos em numerosas seitas, o ideal de unidade do mundo islâmico sob a direção de um único líder político-religioso continua a ser essencial.
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Como referenciar
Porto Editora – Islamismo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-06-30 20:16:19]. Disponível em
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