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João Paulo II

Papa de origem polaca, de nome próprio Karol Wojtyla, nascido a 18 de maio de 1920, em Wadowice, uma localidade no sul da Polónia, e falecido a 2 de abril de 2005, no Vaticano.

Tinha o mesmo nome do pai, um militar ao serviço do exército austro-húngaro que faleceu em 1941. A sua mãe era uma senhora lituana denominada Emília Kaczorowsky (falecida em 1929 ao dar à luz uma menina, que também não sobreviveu) e o seu irmão mais novo, Edmund, morreu ainda antes do pai.
João Paulo II com índios Micmac
Figura em cera do papa João Paulo II, exposta no Museu Madame Tussaud, em Londres
Em outubro de 2003 e aos 83 anos de idade, o Papa João Paulo II comemorou 25 anos de pontificado

Foi batizado na igreja de Santa Maria de Wadowice e, até ao encontro com o Cardeal Sapieha, que lhe despertou o interesse pela vida sacerdotal, estava vivamente interessado nas artes e língua polacas, a ponto de pensar seguir o curso de Filologia e Linguística.

Chegou mesmo a formar, com alguns colegas, uma universidade clandestina vocacionada para estas áreas do saber, quando os alemães fecharam as escolas superiores oficiais polacas durante a Segunda Guerra Mundial, com o intuito de impor a sua própria cultura.

Antes de entrar para o Seminário Maior, trabalhou numa mina (pertencente à fábrica Solvay), o que o aproximou dos mais pobres.

Durante o período de ocupação nazi da Polónia, contribuiu grandemente para salvar pessoas de origem judaica. Entrou, nesse período da guerra, em 1942, para a Faculdade de Teologia da Universidade Jaghellonica, tendo então que viver escondido sob a proteção do Cardeal de Cracóvia.

A sua primeira missa (missa nova) foi celebrada na Cripta de S. Leonardo, na catedral de Cracóvia, depois de ser ordenado padre a 1 de novembro de 1946, no Seminário Maior desta cidade.

Licenciou-se em Teologia no famoso Instituto Angelicum (uma universidade dos Frades Pregadores, ou Dominicanos, em Roma), doutorando-se posteriormente em Filosofia na Universidade de Lublin, na sua Polónia natal.

Lecionou de seguida a cadeira de Ética nas universidades de Lublin e Estatal de Cracóvia, sendo igualmente o capelão destas instituições.

A 23 de setembro de 1958 foi consagrado Bispo Auxiliar de Eugeniusz Baziak, Administrador Apostólico da diocese de Cracóvia, o qual veio a substituir a 13 de janeiro de 1964, aquando da morte deste.

Teve um papel muito ativo no Concílio do Vaticano II, particularmente na elaboração da Constituição Gaudium et Spes e da Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium.

Tornou-se arcebispo em 1966, quando Cracóvia se tornou uma Arquidiocese por ordem do Papa Paulo VI, recebendo o barrete cardinalício no mês de maio de 1967. Até 1977, representou a Polónia em cinco sínodos internacionais de bispos.

Depois da morte de Paulo VI, foi eleito papa João Paulo I, cujo nome próprio era Albino Luciani, um homem simples e sorridente. No entanto este novo Papa só ocuparia o seu posto durante 33 dias, devido a uma morte súbita e envolta em estranhos contornos.

Por conseguinte, o cardeal Karol Wojtyla acabou por ser eleito sumo pontífice a 16 de outubro de 1978, em substituição do papa Luciani.

Foi ungido como titular da cadeira de Pedro a 22 do mesmo mês.

A sua fluência em várias línguas permitiu-lhe ser embaixador da Igreja por todo o mundo.

Apesar da sua bonomia, sorriso constante e tolerante mundividência, foi vítima de um atentado a 13 de maio de 1981 na Praça do Vaticano, tendo sido salvo por uma cirurgia complicada, onde foi retirada a bala com que o turco muçulmano Ali Agca o atingira, pretensamente a soldo dos serviços secretos de países de Leste (Bulgária, segundo se crê).

A posição de João Paulo II perante assuntos de natureza política e internacional, em defesa dos direitos dos cidadãos e contra os regimes tirânicos e despóticos, fez com que muitos analistas e historiadores, bem como a classe política ocidental, o considerassem o grande impulsionador do descongelamento do Bloco de Leste marxista-leninista e do advento de regimes pluripartidários e democráticos nessa região europeia, onde se incluía a sua amada pátria polaca.

Em 1988, declarou pela Constituição Apostólica Pastor Bonus que a Fábrica de S. Pedro (instituição criada em 1506 pelo Papa Júlio II, encarregada de zelar pela construção e gestão patrimonial e espiritual da Basílica do Vaticano) se continuaria a dedicar ao cuidado da basílica com o nome deste Apóstolo, tanto no referente à organização das visitas dos peregrinos como no que diz respeito à disciplina dos guardas e à conservação do edifício.

Caracterizando-se pela comunicação contínua com os fiéis, sobretudo com os jovens e os mais desfavorecidos pela sociedade, escreveu muitas mensagens e cartas, entre as quais se encontram a Mensagem para a Quaresma de 2002, Mensagem de Sua Santidade João Paulo II para a XI Jornada Mundial do Doente, Mensagem do Santo Padre para o XVII Dia Mundial da Juventude, Mensagem da Sua Santidade João Paulo II para a celebração do Dia Mundial da Paz, Carta aos Artistas, Carta aos Anciãos, O Dia do Senhor e A dignidade da Mulher.

Escreveu várias outras obras de cariz teológico e ético, entre as quais se destacam Sinal de Contradição e Amor Frutuoso e Responsável, assim como uma peça de teatro, A Loja do Ourives, sob o pseudónimo Andrej Jawien. Elaborou também uma série de encíclicas sobre temas atuais e preocupantes, como o trabalho como meio de santificação (Laborem Excersens, 1981), as causas de discórdia entre igrejas cristãs (Ut Unum Sint, 1995), e o aborto, eutanásia, pena capital, contracetivos e métodos não naturais de reprodução (Evangelium Vitae, 1995).

Além destas contam-se ainda a Redemptor Hominis (1979), Dives in misericordia (1980), Slavorum apostolo (1985), Dominum et Vivificantem (1986), Redemptoris Mateie (1987), Sollicitudo rei socialis (1987), Redemptoris missio (1990), Veritatis splendor (1993) e Fides et Ratio (1998).

Conhecido também por "Papa peregrino", a sua vocação apostólica refletia-se igualmente nas cerca de duzentas viagens efetuadas por todo o mundo, estribada num sentido ecuménico ativo e inspirador da abertura, diálogo e tolerância com os outros credos religiosos.

É adicionalmente o papa recordista na nomeação e alargamento do número de cardeais e reforço do seu papel e competências, tornando a cúria vaticana uma autêntica máquina de Estado.

A canonização e beatificação de figuras de santidade e santos foi outra das vertentes mais fecundas da longa carreira papal de João Paulo II - um bispo de Roma fatigado, minado pela doença de Parkinson (em muitos lugares designada por "doença do papa") e possuidor de uma mente ativa e lúcida, ainda que agrilhoada por um corpo doente, que não o impedia de viajar, legislar e intervir constantemente, além do desempenho das suas funções e atividades pastorais e ligadas ao seu múnus sacerdotal.

Devoto de N. Sra. de Fátima, visitou Portugal pela primeira vez a 12 de maio de 1982, tendo viajado por diversos locais, além do Santuário de Fátima.

Deslocou-se mais três vezes ao país, duas a Lisboa, em 1983 e 1991 (ano em que visitou também a Madeira e os Açores), e uma a Fátima, em 2000, com o propósito de presidir à beatificação de Jacinta e Francisco Marto, os dois pastorinhos ali sepultados desde 1951 e cujo processo de beatificação foi iniciado em 1948.

Com o nome de João Paulo II, na continuidade daquele que o antecedeu por um período tão breve, o seu pontificado foi um dos mais longos da História, estendendo-se por quase 27 anos, até à sua morte em 2005.

A 27 de Abril de 2014 foi canonizado pelo papa Francisco, numa cerimónia realizada na Praça de S. Pedro, no Vaticano.

Desde então, celebra-se a 22 de outubro a memória litúrgica de São João Paulo II.
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Como referenciar
Porto Editora – João Paulo II na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-05-17 18:41:23]. Disponível em
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