Livros & Autores

O Dicionário das Palavras Perdidas

O Crespos

Adolfo Luxúria Canibal

Morte no estádio

Francisco José Viegas

Bom português

puder ou poder?

ver mais

tras ou traz?

ver mais

a folha foi impressa ou imprimida?

ver mais

desfrutar ou disfrutar?

ver mais

caibo ou cabo?

ver mais

extrema ou estrema?

ver mais

brócolos ou bróculos?

ver mais

Jogo dos erros

literatura policial

Construção narrativa que impõe um trabalho de reconstrução de um itinerário retrospetivo, de reconstituição dos passos dados do efeito até à causa, da constatação do facto, o crime, até ao momento da sua ocorrência. A escrita em dois níveis narrativos, o da ocorrência dos factos e o da ordenação dos factos, determinara a configuração das várias categorias narrativas, como a de narrador, dada a impossibilidade de lhe conferir a omnisciência, uma vez que a sua tarefa é deslindar o mistério, em benefício, assim, de um ponto de vista externo que se coaduna melhor com a própria objetividade - muitas vezes revestida de cientificismo - a que é obrigado no seu trabalho de investigação; ou de uma focalização interna, dado que o investigador é essencialmente um observador, frequentemente obrigado a guardar para si as suposições e as hipóteses que vai formulando. Usando um jogo de palavras, para Kayman (in From Bow Street to Baker Street. Mystery, Detection and Narrative, Londres, 1992), o que é explorado primordialmente na narrativa policial, também designada de narrativa de mistério, é o próprio mistério da narrativa (id. ibi., p. 10): isto é, a instituição da leitura enquanto percurso de conhecimento pelo qual o leitor segue as etapas entre a ignorância e a descoberta de uma solução, etapas predefinidas por um narrador que criou um enigma com o único objetivo de o resolver. O leitor é mantido, através de técnicas como o suspense, num estado de dependência relativamente à procura de um sentido, numa lógica pela qual apenas "o que falta ler irá reestruturar o sentido provisório do que já foi lido", porque só a conclusão da narrativa trará um sentido que, afinal, já estava contido no início e disseminado ao longo do texto (id. ibi., p. 12).Na medida em que, tradicionalmente, parte do ponto de vista da oposição entre o polícia, o detetive (tipos de personagem que podem ser alargados a outras classes profissionais, como o jornalista, o espião, o advogado, o familiar da vítima, etc.), e o criminoso, por outras palavras, o conflito entre os representantes da moral, do bem, da correção, do heroísmo e os infratores, os representantes do mal, da desordem, da patologia, é um tipo de narrativa que se presta a uma análise sociológica enquanto suporte de um discurso ideológico revelador da mentalidade, dos medos, do imaginário e das normas da sociedade em que se desenvolve. Por outro lado, enquanto texto literário, a novela policial explora os mecanismos da ficção narrativa, sendo equívoco estabelecer uma distinção rígida entre "romance policial" e "romance", num sentido lato. Muitas das vezes, não apenas o romancista tem a capacidade de cultivar vários géneros narrativos - ou até de evoluir do género policial para outras formas romanescas, como é o caso de Dinis Machado -, como pode usar as técnicas exploradas pelo romance policial para colocar os mecanismos narrativos em questão, como é o caso dos romances de José Cardoso Pires. Na evolução da novelística portuguesa contemporânea, o romance policial, de influência norte-americana, ou reequacionado através da prática do nouveau roman francês, jogou um papel indispensável na evolução do (neo) realismo para um "paradigma moderno de realismo", no qual o leitor do romance contemporâneo compreende que, por detrás das questões que se colocam sobre o que vai acontecer a seguir ou sobre o significado do que é dito, mau grado a sua nostalgia de "um universo de sentido estável e permanente, já não encontrará a chave para um conhecimento absoluto da verdade" (id. ibi., p. 16).
Partilhar
Como referenciar
Porto Editora – literatura policial na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-06-28 19:47:04]. Disponível em

Livros & Autores

O Dicionário das Palavras Perdidas

O Crespos

Adolfo Luxúria Canibal

Morte no estádio

Francisco José Viegas

Bom português

puder ou poder?

ver mais

tras ou traz?

ver mais

a folha foi impressa ou imprimida?

ver mais

desfrutar ou disfrutar?

ver mais

caibo ou cabo?

ver mais

extrema ou estrema?

ver mais

brócolos ou bróculos?

ver mais

Jogo dos erros