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madeira (lenho)

A madeira é a parte da árvore a que corresponde o lenho, isto é, o conjunto de tecidos formados pela atividade do câmbio.
Tanto para espécies folhosas como para resinosas, a porção de lenho formada após o repouso invernal designa-se por zona de primavera. Normalmente, durante o verão existe uma redução da atividade cambial, a qual é iniciada no outono com as primeiras chuvadas, formando-se então a zona de outono.
O anel de crescimento é o conjunto formado entre a zona de primavera e a zona de outono, podendo assim saber-se a idade de uma árvore em anos através da quantidade de anéis de crescimento. No cerne nota-se a alternância de um anel de cor muito escura seguido de um anel de cor mais clara, repetindo-se isto várias vezes. Cada par de anéis, escuro e claro, corresponde ao crescimento durante o ano. A parte escura é a parte da madeira que se desenvolve no verão e a parte clara é a parte de madeira que se desenvolve na primavera. Podemos saber a idade de uma árvore contando, se for possível, o número destes pares de anéis. Nas madeiras tropicais, como o clima é praticamente constante, vê-se facilmente qual a idade que a madeira tem. No inverno a vida vegetativa da madeira está praticamente parada.
Caruncho visível num toro de madeira
Toros de madeira
Máquinas de perfuração utilizadas na construção civil
Gavetão de um armário feito em madeira
Janela com gelosias em madeira pintada
Tacos de madeira usados no revestimento de pavimentos interiores
Furador elétrico de coluna
Estrutura composta por ripas de madeira
Secção transversal de um tronco de pinheiro
Carro de bois, feito em madeira, cercado de fueiros para amparar a carga
Furador manual, utilizado em trabalhos com madeira, entre outros materiais
Torneados de madeira para fins decorativos
As madeiras das árvores resinosas crescem sobretudo no verão e no outono. A melhor madeira é a que se desenvolve no verão e no outono. Nas resinosas, quanto mais largos forem os anéis anuais maior é a proporção de madeira formada na primavera. Esta última madeira é pouco densa, tenra e de resistência medíocre. Ao diminuir a espessura dos anéis aumenta a resistência, a densidade e a facilidade de execução da madeira. Com as folhosas passa-se precisamente o contrário e o seu desenvolvimento processa-se sobretudo na primavera.
O cerne, parte escura do centro do tronco, é formado pela deposição do parênquima lenhoso, muitas vezes denominado lenho inativo pois morre após o consumo das reservas. Esta parte do tronco é mais firme, pesada e escura que as camadas externas designadas por alburno, borne ou lenho ativo. Estas últimas contêm células vivas. Existem espécies típicas de cerne, tais como o pinho, o zimbro, o carvalho, a acácia, o ulmeiro e a nogueira. Outras espécies típicas de alburno são o abeto, o pinheiro, o ácer e a faia. As espécies tília, álamo e salgueiro não podem formar cerne pois os troncos são afetados por micoses, acabando por ficar ocos.
A madeira é um material anisotrópico, pois as suas propriedades variam com a direção. Dentro das características físicas destacam-se essencialmente a humidade, a densidade e a retractilidade, embora existam outras, como a condutibilidade térmica, elétrica e a inflamabilidade.
A retractilidade é a propriedade que a madeira possui de variar de dimensões quando o seu teor de água se modifica. Ela aumenta de volume ao absorver água, e contrai-se ao perdê-la. A madeira é um material poroso, higroscópico, que absorve a humidade facilmente devido à sua natureza celulósica.
No que se refere à humidade, consideram-se a presença de água sob três formas na madeira: a água que faz parte intrínseca da matéria lenhosa da madeira e cuja eliminação só é possível com a destruição da própria madeira; a água retida nas paredes das fibras que é designada por água de impregnação ou água de saturação e a água do interior das fibras, que aparece quando as suas paredes já se encontram saturadas e é designada por água livre.
Numa árvore distinguem-se três tipos fundamentais de células: as de tecido fibroso, as de tecido vascular e as do parênquima.
As células de tecido fibroso, constituído por fibras de paredes espessas ou células alongadas no sentido do eixo da árvore, formam a massa principal da madeira. Estas fibras servem de suporte à árvore, sendo as condutoras de seiva nas árvores resinosas. As células de tecido vascular, existentes nas árvores folhosas, são formadas por canais orientados no sentido do eixo da árvore e têm a finalidade de darem passagem aos elementos nutritivos, desde a raiz às folhas. Os canais são visíveis a olho nu em espécies como o carvalho, o olmo e a nogueira. Por fim, as células do parênquima são células de nutrição da árvore, que se desenvolvem tanto no sentido do eixo como no sentido perpendicular, segregando látex (de que se obtém a borracha) e resinas, sendo células de armazenamento.
Na orla exterior de uma árvore encontramos a casca, matéria fibrosa de fraca consistência, de cor mais carregada que a da própria madeira, podendo ser lisa e ter fraca espessura como, por exemplo, no plátano ou, pelo contrário, podendo ser espessa e rugosa, como no pinheiro. A seguir à casca há zonas que não são visíveis a não ser através de observação ao microscópio, como a zona do líber, onde circula a seiva descendente, e a zona do câmbio, onde se processa o crescimento da árvore, isto é, onde se dão as trocas nutritivas. Em seguida aparece uma zona mais clara denominada alburno, de formação mais recente, onde circula a seiva ascendente. No núcleo aparece o cerne, mais escuro.
A melhor madeira para utilização na construção é aquela que é obtida a partir do cerne, já que no alburno a circulação da seiva é um elemento de apodrecimento. A qualidade do alburno depende do tipo de árvore. Assim, no carvalho e no castanheiro, por exemplo, ele apresenta má qualidade, enquanto que no choupo já apresenta boa qualidade, ainda que noutras árvores seja mesmo impossível distinguir o alburno do cerne. No entanto, para qualquer dos casos existem tratamentos que permitem a utilização de partes menos boas da madeira.
As condições de vida da árvore têm influência no aspeto da madeira. O aspeto da madeira pode ser caracterizado não só pela espessura dos anéis de crescimento mas também pelo chamado grão da madeira. O grão será a impressão visual produzida pelos poros da madeira, podendo ser grosso, fino e muito fino (como nas fruteiras e no buxo). Para a mesma essência, a exposição climática, a altitude, a natureza mineralógica do solo, o grau de humidade, o desenvolvimento em floresta ou em isolamento são fatores que produzem variações acentuadas na estrutura e na composição química da madeira. Por exemplo, a madeira que cresce em floresta não apresenta as mesmas características que a madeira que cresce isoladamente. No mesmo pinhal e no mesmo solo, um pinheiro isolado apresenta menor qualidade do que outros pinheiros plantados juntos. Os pinheiros isolados crescem mais facilmente, sobretudo na primavera, o que conduz a texturas inferiores em relação a pinheiros plantados junto a outros. Assim, as árvores resinosas de melhor textura são as que crescem em floresta e têm o menor número possível de anéis de crescimento anual. Quanto às folhosas, que são árvores que se desenvolvem sobretudo na primavera, dá-se precisamente o contrário. Portanto, nestes casos a madeira é melhor se se tratar de uma árvore isolada e não de floresta.
A madeira apresenta-se influenciada por certos defeitos e anomalias devido tanto a fenómenos biológicos como a causas externas que se traduzem em alterações na sua qualidade. As anomalias e os defeitos podem estar relacionadas com a estrutura do lenho e com particularidades da morfologia da árvore.
Um exemplo destes defeitos são os nós. Em todas as zonas de inserção de um ramo aparece um nó. Produz-se assim um desvio local das fibras da madeira. Como consequência, a madeira torna-se menos resistente, sobretudo à tração, e mais difícil de ser trabalhada. O nó pode ser duro e se a peça de madeira for submetida à tração tem tendência a fendilhar. Os inconvenientes dos nós dependem das dimensões, forma, estado de conservação e localização. Os nós são tolerados, contudo, dentro de certos limites. No entanto, nunca quando estão podres, soltos ou fendilhados.
Por causas fisiológicas e hereditárias, algumas árvores provocam o torcimento das suas fibras ao crescerem, apresentando-se então os troncos profundamente torcidos. Estes troncos originam a chamada madeira revessa. Esta madeira é má para a construção civil porque é bastante difícil de trabalhar e dificulta o corte; em contrapartida, oferece bons efeitos decorativos, pelo que é procurada para marcenaria.
Às vezes aparecem inclusões minerais na própria árvore. Estas inclusões resultam de um acesso de sais que são dissolúveis na água e que se depositam em qualquer porção de árvore. Estas inclusões põem em causa a qualidade da madeira, pois conduzem a dificuldades de laboração, podendo, no entanto, aumentar a resistência da madeira a agentes destruidores.
Outros defeitos são as fendas, que são descontinuidades no lenho no sentido longitudinal da árvore, causadas por tensões internas, devidas a secagem intensa e rápida ou a esforços mecânicos.
Ainda outros defeitos que podemos encontrar nas madeiras são atribuíveis ao ataque de fungos e insetos. Há fungos e animais xilófagos (animais que se alimentam de madeira) metidos na madeira. Por vezes acontece apareceram manchas azuladas produzidas pelo ataque de fungos e ações de natureza química que depreciam a madeira por causa do aspeto, embora não afetem as suas resistências mecânicas. O ataque dos fungos dá-se na madeira húmida. Para o evitar fazem-se aberturas nas paredes destinadas ao arejamento da madeira. Tapando-se estas aberturas, o processo de apodrecimento da madeira é mais rápido.
Quanto aos insetos, a madeira pode apresentar insetos que se desenvolvem nela toda a sua vida ou só parte dela. Como exemplo de madeira atacada por insetos temos a madeira carunchosa. É sobretudo nas madeiras secas que se manifesta a atividade dos insetos.
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Como referenciar
Porto Editora – madeira (lenho) na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-08-15 23:44:04]. Disponível em

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