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Pré-socráticos

Designação utilizada para referir os primeiros filósofos da história, preocupados essencialmente com problemas de ordem cosmológica. Neste sentido, refere-se a todo um período que se prolonga do início do século VI a. C. até ao século IV a. C., altura do magistério de Sócrates, considerado pela tradição como inaugurador do período antropológico, embora alguns dos pensadores nele incluídos lhe sejam contemporâneos.
Esta denominação engloba um vasto número de filósofos, habitualmente distribuídos em três grandes grupos, segundo critérios cronológicos, de naturalidade e de afinidade temática:
- os pensadores jónicos (séculos VI e V a. C.), entre os quais se contam os milésios Tales de Mileto, Anaximandro e Anaxímenes -, cujas pesquisas se orientaram para a busca do princípio material (arkê) que estaria na origem de todas as coisas -, Xenófanes de Cólofon - que, além das preocupações naturalistas, se dedicou a uma violenta crítica à religião tradicional - e Heraclito de Éfeso - notabilizado pela teoria do eterno devir;
Segundo alguns autores, Pitágoras terá utilizado, pela primeira vez, as palavras "cosmos" e "filosofia" na aceção atual
- as escolas itálicas (séculos VI e V a. C.), que incluem Pitágoras - cuja doutrina, fortemente imbuída de conotações místicas, se centrou no significado do número -, os seus discípulos Alcméon, Filolau e Êurito, entre outros, e a escola eleata, de que fizeram parte Parménides - criador da ontologia e defensor da imutabilidade do ser - e os seus seguidores Zenão e Melisso de Samos;
- e os sistemas pós-parmenidianos (séculos V e IV a. C.) que, procurando ultrapassar as aporias introduzidas pelos eleatas, enquadram doutrinas tão díspares quanto as de Empédocles de Agrigento - filósofo pluralista, sistematizador da teoria dos quatro elementos (a terra, a água, o ar e o fogo), que se ordenavam segundo os princípios do Amor e da Discórdia -, Anaxágoras de Clazómenas e o seu discípulo Arquelau de Atenas - que afirmavam a divisibilidade até ao infinito da matéria -, os atomistas Leucipo de Mileto e Demócrito de Abdera - propondo ser a matéria constituída por uma infinidade de «mínimos indivisíveis» (os atomoi) em movimento no vácuo - e Diógenes de Apolónia - um eclético que reafirmou o ar como elemento primordial, atribuindo-lhe características próximas das do Logos de Heraclito.
Como todas as tentativas de sistematização, esta não é objeto de unanimidade entre os estudiosos, que, embora mostrem alguma concordância no respeitante aos traços gerais, têm divergido em questões de pormenor. A mais recente fonte de polémica respeita à frequente inclusão dos sofistas no período dos pré-socráticos, que tem vindo a ser abandonada dado que nem no aspeto cronológico nem no que se refere à temática parece ser justificável. Além de contemporâneos e interlocutores diretos de Sócrates, os sofistas partilharam com ele uma reflexão voltada para questões de ordem gnosiológica, moral e política - embora nesses domínios tivessem caído em posições próximas do relativismo.
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Como referenciar
Porto Editora – Pré-socráticos na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-10-04 02:33:01]. Disponível em

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