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República Democrática do Congo

Geografia
País da África Central. Abrangendo grande parte da bacia do rio Congo (ou Zaire), a República Democrática do Congo é banhada, a oeste, pelo oceano Atlântico em apenas 40 km de costa e faz fronteira com Cabinda (Angola), a República do Congo, a oeste, a República Centro-Africana, a norte, o Sudão e o Uganda, a nordeste, o Ruanda, o Burundi e a Tanzânia, a leste, a Zâmbia, a sudeste, e Angola, a sul e sudoeste. Com uma área de 2 345 410 km2, é o terceiro maior país do continente africano. As principais cidades são Kinshasa, a capital, com 6 789 900 habitantes (2004), Lubumbashi (1 138 000 hab.), Mbuji-Mayi (971 200 hab.), Kisangani (536 000 hab.) e Kananga (576 600 hab.).
Clima
Bandeira da República Democrática do Congo
Queda de água, República Democrática do Congo
Tem um clima do tipo equatorial, com chuvas abundantes e temperaturas elevadas durante todo o ano.
Economia
As vias fluviais constituem um elemento vital na rede de transportes do país. Este é rico em recursos minerais, possui grandes jazidas de diamantes, cobalto e um potencial hidroelétrico que abrange metade do continente. Os diamantes são responsáveis por mais de 75% das receitas, mas julga-se que cerca de 80% da produção é escoada pelo mercado negro. As florestas cobrem 55% do território e fornecem madeiras como o mogno e o ébano. A desflorestação aumentou e só não é maior devido à grande dificuldade de escoamento da madeira, que leva 3 anos para conseguir atingir os portos.
A extensão de terra cultivada equivale a menos de 3% da superfície total e grande parte da população rural pratica uma agricultura de subsistência com culturas itinerantes, abrindo clareiras na floresta para cultivar o solo e abandonando-as quando este fica esgotado. Exportam café, óleo de palma, borracha, cacau, algodão e chá. Foram os europeus que estabeleceram as plantações onde se praticam estas culturas. O nível de vida da população é considerado baixo devido à nacionalização de todos os setores da economia, ao encarecimento dos bens importados, à corrupção e ao recurso a empréstimos externos. Os principais parceiros comerciais da República Democrática do Zaire são a Bélgica, os Estados Unidos da América, a Itália e a Alemanha.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono não foi atribuído.
População
Não é um país densamente povoado: tinha, em 2006, 62 660 551 habitantes e uma densidade populacional de 25,52 hab./km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 43,69%o e 13,27%o. A esperança média de vida é de 41,46 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,363 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,353 (2001). Estima-se que, em 2025, a população ultrapasse os 100 milhões de habitantes.
Neste território, dois terços da população falam línguas bantas. As grandes tribos bantas são os Congos (16%) do Oeste, os Mongos (14%) do Centro, os Lubas (18%) do Centro-Sul e os Lundas, do Sul. No Norte, há grupos sudaneses como os Azandes (6%) e os Mangbetus. Os pigmeus são apenas um dos muitos grupos étnicos e linguísticos locais. Falam-se no país mais de 200 línguas e dialetos, mas o francês continua a ser a língua corrente e oficial. As principais religiões são o catolicismo (41%), o protestantismo (32%) e o cristianismo indígena (13%).
História
Os navegadores portugueses desembarcaram pela primeira vez no estuário do rio Congo em 1482 e estabeleceram relações com o reino do Congo. Os outros povos europeus penetraram nas suas florestas muito mais tarde, no século XIX, ao subirem o rio Congo.
As tribos da região foram englobadas na entidade colonial a seguir à implantação de entrepostos comerciais instalados junto ao rio, a partir de 1876, pela Associação Internacional do Congo, propriedade do rei Leopoldo II da Bélgica, que reclamou para si a posse do Estado. A exploração dos indígenas foi denunciada pelo cônsul britânico, Roger Casement, e a Bélgica viu-se obrigada a retirar a Leopoldo o domínio do Congo.
A política colonial permitiu elevar o nível de vida do país, sobretudo na década de 50, mas não o preparou para a independência - por exemplo, os africanos negros só depois de 1954 tiveram acesso ao ensino universitário e só nesta altura foi permitida a formação de partidos políticos. Os belgas acabariam por perder o controlo dos acontecimentos com o surgimento dos movimentos nacionalistas de 1959. O país tornou-se autónomo a 30 de junho de 1960, mas passados dias encontrava-se mergulhado na anarquia e com vários surtos de rebelião e lutas tribais. À data da independência, as duas principais figuras políticas eram Patrice Lumumba e Joseph Kasavubu, dirigentes das fações nacionalistas rivais. A luta pelo poder acabou com o assassínio de Lumumba em 1961. Quatro anos mais tarde, Mobutu tomou o poder, que viria a deter por mais de três décadas e meia, resistindo com êxito a várias conspirações. Mobutu impôs ao país um regime de partido único. Ao mesmo tempo, enveredou por uma política de regresso às origens africanas, alterando nomes europeus de pessoas e lugares para nomes indígenas, como é o caso do próprio nome do país, que de Congo passou a designar-se Zaire. O próprio chefe de Estado mudou o seu nome de Joseph Désiré para Mobutu Sese Seko. Em 1997, foi deposto por Laurent-Désiré Kabila - desde sempre inimigo do regime de Mobutu, era o chefe da guerrilha Aliança das Forças Democráticas para a Libertação do Congo-Zaire - que alterou o nome do país para aquele que atualmente vigora e formou novo Governo e Assembleia Constituinte. A presidência de Kabila foi desde cedo assombrada por rebeliões e guerrilhas. Em 1998, uma rebelião apoiada pelos países vizinhos - Uganda e Ruanda como apoiantes dos rebeldes e Angola, Namíbia e Zimbabwe como apoiantes de Kabila - degenerou em guerra civil. Houve uma tentativa falhada de cessar-fogo com a assinatura de um pacto em agosto de 1999 em Lusaca. A 16 de janeiro de 2001 foi anunciado o assassinato de Laurent-Désiré Kabila, aparentemente morto por um militar, seu guarda-costas, devido a uma discussão sobre a guerra que assola o país. O seu filho Joseph Kabila foi anunciado como sucessor interino do pai, assumindo, assim, a presidência do país. Em 2002 conseguiu-se que as forças rebeldes se retirassem do Congo oriental e dois meses mais tarde foi assinado um tratado de paz dando início a um governo de unidade nacional.
No início de 2006, na sequência da ratificação de uma nova Constituição, a bandeira do país foi alterada, assumindo um modelo semelhante ao já utilizado no período entre 1963 e 1971.
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Como referenciar
Porto Editora – República Democrática do Congo na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-10-04 07:25:27]. Disponível em
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