Livros & Autores

O Crespos

Adolfo Luxúria Canibal

Morte no estádio

Francisco José Viegas

Violeta

Isabel Allende

Bom português

puder ou poder?

ver mais

tras ou traz?

ver mais

a folha foi impressa ou imprimida?

ver mais

desfrutar ou disfrutar?

ver mais

caibo ou cabo?

ver mais

extrema ou estrema?

ver mais

brócolos ou bróculos?

ver mais

Jogo dos erros

Romance de Renart

O Romance de Renart (Le Roman de Renart), escrito entre 1170 e 1250, consiste num conjunto de 27 poemas, em versos octossilábicos, reunidos, ao longo do século XIII, de forma incoerente e caótica, que pertencem a vários autores, na maioria anónimos, mas dos quais se destaca Pierre de Saint-Cloud. As personagens destas histórias são animais, sendo a mais importante a raposa (renart, ou renard, isto é, uma raposa), e nelas se parodia as canções de gestas e os romances corteses que enalteciam a sociedade cavaleiresca. Esta recolha de textos deriva de uma longa tradição de histórias sobre animais, escritas em latim; das fábulas de Esopo, que foram recolhidas e agrupadas, na Idade Média, e intituladas Isopetos; da história de Ysengrinus (1148-49) do clérigo flamengo Nivard, onde já se encontra a personagem Reinardus.
Renart (a raposa) é uma personagem que tem uma grande recetividade junto do imaginário popular francês, desde a Idade Média até aos nossos dias, e que aparece sobretudo na literatura infantil. O termo "renart" atingiu um valor tão grande na língua francesa que chegou a substituir outros termos da língua para designar raposa. Renart é um herói complexo e uma personagem que assume diversas formas: um pequeno diabo, um ladrão de bolos, um malicioso sedutor ou um demónio hipócrita. Nas fábulas, assume o papel de um animal astucioso, manhoso e inteligente com admirável e persuasivo dom da palavra. Simuladora, a raposa pretende levar a melhor sobre os outros.
Numa história da obra, Renart encontrou o lobo Ysengrin e convenceu-o a pescar com um balde, deixado por camponeses, num lago gelado donde se retirava água para os animais. O lobo aceitou e pediu à raposa que atasse o balde à sua cauda que ficou sobre um buraco do lago. Ficou imóvel à espera do peixe, enquanto a raposa se escondeu. A água solidificou e o lobo não conseguiu mexer-se, dado que o balde ficara preso no lago. Julgando que o balde estava cheio de peixe, pediu à raposa para ajudar a puxá-lo, mas esta riu-se e foi-se embora, comentando que "quem tudo quer tudo perde". Entretanto, aproximou-se uma caçada liderada pelo nobre da região, e Ysengrin, para poder fugir dos cães, deixou para trás a cauda que ficou presa no gelo. O lobo prometeu então vingar-se de Renart.
Noutra história, Renart, cheio de fome, avistou o corvo Tiecelin, que estava muito concentrado, em cima duma árvore, a comer um queijo que tinha entre as patas. A raposa elogiando a sua bela voz, pediu-lhe por várias vezes que cantasse até que o corvo, vaidoso, largou o queijo que caiu aos pés de Renart. Este, embora impaciente, não lhe tocou porque tinha intenção de comer também o corvo; por isso disse-lhe lamentando que o queijo cheirava tão mal que não lhe tocava e que fosse apanhá-lo ao chão. O corvo assim fez e Renart saltou-lhe em cima, mas o corvo conseguiu fugir.
Numa outra história, Renart e Ysengrin encontravam-se, ambos cheios de fome, à hora do almoço, junto à casa do padre. A raposa queria ser perdoada pelo episódio do lago e disse ao lobo que podia ir com ele ao celeiro do clérigo que se encontrava cheio de presuntos e de outras iguarias. Ysengrin não resistiu à descrição de tantas delícias e acompanhou-o à entrada do celeiro, onde Renart insistiu com o lobo para que entrasse, primeiro, já que a entrada era muito estreita. Ysengrin entrou e comeu o mais que pode mas, quando queria sair, não conseguiu por causa da sua barriga cheia. Renart, depois de se rir da situação, tentou retirá-lo, mas sem êxito. Foi, então, buscar uma corda à cozinha do cura. Aí, a sua atenção centrou-se numa galinha assada que estava em cima da mesa e que Renart tentou roubar. Descoberto, foi perseguido pelos criados e pelo padre por toda a casa até ao celeiro, onde Renart se escondeu. Quando o padre aí chegou, encontrou o lobo Ysengrin, que, por pouco, não morreu de tanta pancada.
Estes são apenas três dos muitos episódios de Renart que há séculos deliciam e divertem crianças e adultos. As suas muitas aventuras têm lugar num universo de animais, com características humanas. O tom satírico dos textos revela a crítica social, cujos temas são a fome, a pobreza e a exploração.
A primitiva versão d'O Romance de Renart conheceu vários desenvolvimentos, como Renart, le Bestourné (1261-1270) de Rutebeuf; Renart, le Nouvel (cerca de 1288), de Jacquemart Gellée; Le Couronnement de Renart (perto de 1330), de um anónimo flamengo; e Renart, le Contrefait (por volta de 1330) de um anónino de Troyes que, em 60 000 versos, reuniu todas as aventuras da personagem.
O Romance de Renart esteve em grande voga e foi, muitas vezes, imitado, sobretudo, na Alemanha. Inspirou, ainda, outros escritores, como La Fontaine, Rabelais, Edmond Rostand, Louis Pergaud e Aquilino Ribeiro.
Partilhar
Como referenciar
Porto Editora – Romance de Renart na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-05-19 22:25:52]. Disponível em

Livros & Autores

O Crespos

Adolfo Luxúria Canibal

Morte no estádio

Francisco José Viegas

Violeta

Isabel Allende

Bom português

puder ou poder?

ver mais

tras ou traz?

ver mais

a folha foi impressa ou imprimida?

ver mais

desfrutar ou disfrutar?

ver mais

caibo ou cabo?

ver mais

extrema ou estrema?

ver mais

brócolos ou bróculos?

ver mais

Jogo dos erros