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Zip-Zip

O programa de televisão "Zip-Zip", da autoria de Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia, e realizado por Luís Andrade, foi para o ar na Radiotelevisão Portuguesa entre 24 de maio de 1969 e dezembro desse mesmo ano. Veio a ser um dos programas mais influentes da história da televisão em Portugal porque quis mostrar o verdadeiro País que estava escondido por causa da ditadura e por razões políticas. Paralelamente, revolucionou a técnica televisiva pois abriu caminho a outros programas com auditório.
A ideia original apontava para um programa diário, mas devido aos meios que envolvia limitou-se a ser semanal. Aproveitando a abertura proporcionada pela primavera Marcelista, o trio composto por Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raul Solnado criou um programa em que o público assistia à gravação na plateia do Teatro Villaret, em Lisboa. Eram debatidos assuntos que pouco tempo antes não seriam aceites pela censura. Os convidados tanto eram personalidades influentes como pessoas comuns e eram chamados músicos e cantores até então praticamente proibidos de aparecer na televisão. Havia também momentos de humor protagonizados por Raul Solnado, que fazia diversos comentários à situação do País. Rapidamente o "Zip-Zip", um dos primeiros talk-shows da televisão portuguesa, conquistou grande audiências.
O programa era gravado aos sábados no Teatro Villaret e, depois de ser visionado pela censura, passava às segundas-feiras à noite na RTP.
O primeiro programa teve como convidado o artista e escritor Almada-Negreiros, que fez então a sua estreia na televisão. Enquanto Almada-Negreiros era entrevistado no estúdio, Fialho Gouveia fazia reportagem no exterior, na rua onde estavam expostos quadros do artista.
Pelo "Zip-Zip" passaram muitos outros nomes da cultura portuguesa. De fora, por imposição da censura, ficaram Zeca Afonso e Natália Correia. À medida que o programa ia tendo mais sucesso, as restrições da censura eram cada vez maiores e levavam os autores a ter longas negociações com os censores. O cansaço provocado por estas restrições aliado ao facto de os meios postos à disposição da equipa serem escassos levaram a que o programa durasse apenas sete meses.
Ao longo do tempo que esteve no ar, o programa teve vários momentos memoráveis, como a transmissão de um jogo de matraquilhos e uma entrevista à estátua de Luís Vaz de Camões. O "Zip-Zip" serviu ainda para tornar popular as baladas, divulgando assim cantores de intervenção como Manuel Freire, José Jorge Letria, Carlos Alberto Moniz e Francisco Fanhais.
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Como referenciar
Porto Editora – Zip-Zip na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-11-28 07:58:27]. Disponível em
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