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Castelo de Bragança
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O crescimento urbano da cidade transmontana de Bragança está intimamente ligado ao seu castelo. O perímetro primitivo da cidadela brigantina defendia a antiga vila medieval, mas a malha urbana estendeu-se extramuros e de tal modo se desenvolveu que seria elevada à categoria de cidade.
No entanto, a sua situação estratégica tinha já sido aproveitada para a edificação de um castro, mais tarde metamorfoseado numa fortificação romana, vigiando e controlando importantes redes viárias militares.
Restaurado o nome de "Brigância" com a chegada dos povos germânicos, esta cidade transmontana conheceu as incertezas e os conflitos entre árabes e cristãos. Essas devastadoras incursões conduziram à deslocação da povoação para o outeiro da Benquerença, nas imediações do rio Fervença, facto ocorrido no reinado de D. Afonso Henriques. Da demolida "Brigância" foram recuperados e reutilizados materiais antigos, edificando-se no século XII um imponente castelo para proteger a renovada povoação. Apesar disso, alguns anos mais tarde, a vila de Benquerença seria novamente arrasada pelos exércitos muçulmanos.
Torres do Castelo de Bragança
Estátua de D. Fernando, 2º duque de Bragança, no exterior da muralha
D. Sancho I mandou repovoar e reconstruir casas e fortaleza, com tal êxito que, em 1293, D. Dinis acrescentaria à vila um segundo pano de protetoras muralhas. Obras de beneficiação foram realizadas em tempo de D. Fernando, enquanto D. João I procedeu à sua ampliação.
Após as lutas da Reconquista, Bragança continuou a registar importantes ações militares contra o seu castelo medieval. Disputas fronteiriças entre Leão e Portugal aconteceram no século XIII, efetuando grandes destruições no perímetro defensivo brigantino.
No reinado de D. Fernando, a contenda entre Castela e Portugal conduziu ao cerco e ocupação da cidadela de Bragança, voltando esta somente para as mãos nacionais após a assinatura do Tratado de Alcoutim.
Com o casamento de D. Afonso, filho de D. João I, e de D. Beatriz, filha de D. Nuno Álvares Pereira, deu-se início à da Casa de Bragança e a cidade ficaria umbilicalmente ligada a esta importante linhagem da nobreza portuguesa.
Em 1580, Bragança permaneceu fiel à causa nacional, apoiando o malogrado D. António, Prior do Crato.
O rol de destruições prosseguiu com a invasão espanhola de 1762, conflito que conduziu ao derrube de parte das defesas brigantinas. Com as guerras napoleónicas, nova série de mutilações e pilhagens se abateram sobre as gentes transmontanas. A paz chegaria apenas no dealbar do século XX.
Da grandeza e imponente perfil do medievo castelo de Bragança é testemunha a sua magnífica cidadela. A primeira cerca de muralhas é transposta, sob a silenciosa vigilância de dois torreões, na Porta de Santo António. Acede-se à povoação antiga pela ogival Porta da Vila. As muralhas são reforçadas por cubelos e torres, com destaque para a bela "Torre da Princesa". No interior da praça de armas são visíveis as adaptações dos acessos e plataformas para a introdução da artilharia moderna. A sul desenvolvem-se os altos panos da segunda muralha, encimada por largos merlões e adarves, além de variadas aberturas para as peças de artilharia.
No último reduto, o destaque centra-se na magnífica Torre de Menagem, bem proporcionada e harmoniosamente concebida. A arte militar gótica dotou-a de importantes sistemas defensivos, tais como ameias com seteiras cruzetadas, balcões com mata-cães, cubelos angulares misulados. No interior observam-se salas cobertas por abóbadas de aresta reforçadas por arcos torais, prisão e cisterna. Rasgando as paredes pétreas estão elegantes janelas e portas ogivais. Os seus surpreendentes espaços internos foram reorganizados e convertidos, desde 1936, em museu militar da região.
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Como referenciar
Porto Editora – Castelo de Bragança na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-03-01 22:07:06]. Disponível em

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