conflito interétnico
O principal motivo da existência de conflitos interétnicos, para além da diferença étnica aprofundada por uma eventual incompatibilidade cultural, é o sentimento de insatisfação e frustração das minorias relativamente ao seu estatuto dentro de uma sociedade por comparação com outra ou outras etnias também minoritárias, mas relativamente às quais se sintam em desvantagem. Esse sentimento de privação ou de frustração pode na realidade não ter fundamento, mas existe muitas vezes por transferência, da maioria étnica que na realidade o marginaliza, para outra minoria étnica igualmente fragilizada e normalmente com os mesmos problemas económicos e sociais.
A diferença entre conflito interétnico e conflito étnico reside no facto de que, no conflito étnico, embora os dois grupos sejam etnicamente diversos, nenhum deles constitui necessariamente uma minoria tanto em termos políticos como económicos, enquanto que no conflito interétnico é fundamental para a sua caracterização que exista uma comparação de uma minoria étnica relativamente a outra e a experimentação de um sentimento de privação ou desfavorecimento.
Muitas vezes não existem quaisquer antecedentes históricos de incidentes que justifiquem estes ressentimentos entre minorias étnicas, como foi o caso, por exemplo, dos conflitos entre afro-americanos e cubanos nos anos 80, em Miami, na Florida. Apesar de uma origem comum, dado que a sociedade cubana é multirracial, com uma grande incidência de herança africana, a crescente migração de cubanos para a Florida a partir dos anos 60 fez com que houvesse uma grande competição entre cubanos e afro-americanos no mercado de trabalho pelos empregos disponíveis. O incidente da morte de um afro-americano pela polícia fez com que os afro-americanos se voltassem contra os cubanos, uma comunidade mais próspera e com um maior índice de negócios independentes. Houve neste incidente não só uma transferência relativamente ao agente responsável pelo incidente (neste caso a polícia) para a comunidade cubana, mas também o aproveitar de um incidente para despoletar e canalizar um sentimento de privação em relação a uma comunidade igualmente minoritária mas economicamente mais próspera, como se verificou com a destruição das lojas que eram propriedade dos cubanos.
Outras vezes na origem dos conflitos interétnicos estão incompatibilidades por razões históricas que são adaptadas a conflitos novos, como é o caso dos conflitos tradicionais entre sikhs e muçulmanos que inspiraram a violência entre grupos sul-asiáticos na Grã-Bretanha, no final dos anos 80. Nos anos 90, os conflitos dividiram os grupos por referências regionais relativamente às origens dos seus pais (Paquistão, Punjab, Bangladesh, etc.), surgindo novos surtos de violência.
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