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Movimentos Grevistas em Portugal
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Nos primeiros anos do século XX, tal como sucedia em diversos pontos da Europa, também em Portugal se fizeram sentir os movimentos grevistas, que, durante a vigência da monarquia, chegaram a atingir grandes proporções, apesar de em Portugal não haver uma expressiva massa proletária e o capitalismo não ser muito radical.
As reivindicações sociais partiam dos trabalhadores que se haviam empenhado no apoio ao movimento republicano, atraídos pelas promessas da reforma laboral e da justiça.
A República, recém-implantada, via-se obrigada a, parcialmente, cumprir algumas das suas promessas eleitoralistas. Assim, em dezembro de 1910, o governo provisório decretou o direito à greve, embora esta medida só tenha sido posta em prática numa altura em que já se faziam sentir as movimentações grevistas.
No final de 1911 contavam-se cerca de 70 greves no país, incluindo Portugal insular, onde participavam todo o género de trabalhadores, não se circunscrevendo, portanto, aos operários fabris; registava-se, igualmente, uma larga percentagem de greves instigadas por trabalhadores rurais, sobretudo em períodos críticos da vida do campo, como a ceifa, altura em que a sua capacidade reivindicativa aumentava.
A grande motivação destas greves estava relacionada com os salários, mas também com a solidariedade com outras greves e com a questão dos horários de trabalho.
A maior parte destas paralisações laborais teve resultados concretos, contudo outras saldaram-se pela adoção de soluções de compromisso. Mas houve, também, outras cujos objetivos não foram de todo cumpridos.
Esta tensão social apanhou desprevenida a burguesia, alheia às más condições de vida de muitos trabalhadores. Era evidente um total afastamento entre as prioridades do governo burguês e a luta dos trabalhadores.
Em 1911 iam longe os tempos em que existia uma certa empatia entre burgueses e operários. Estes últimos acusavam os burgueses de os terem traído, para eles o direito à greve era uma lei burguesa pois incluía condicionalismos intencionalmente destinados a tirar eficácia a esta prática: dava o direito aos patrões de recorrerem ao lock out; obrigava os trabalhadores ao aviso com bastante antecedência sob pena de ilegalidade.
No nosso país as reivindicações do proletariado nunca foram verdadeiramente atendidas, porque, ao contrário de países como a França e a Inglaterra, o proletariado português era diminuto, não tendo força para fazer vingar as suas aspirações.
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Como referenciar
Porto Editora – Movimentos Grevistas em Portugal na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2024-07-18 01:58:05]. Disponível em

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