Poder Popular no 25 de abril
Durante o regime do Estado Novo, sobretudo entre 1973 e 1974, os diferentes setores da massa populacional empreenderam na clandestinidade ações contra o governo.
A classe operária foi uma das mais enérgicas nesta luta, entrando em greves sucessivas os pescadores, os agricultores, os trabalhadores de transportes, os operários da indústria, entre outros, sendo as revoltas mais acesas nas regiões do Ribatejo e do Alentejo (o número de participantes ascendeu a cerca de cem mil).
Por outro lado, o movimento democrático tinha claros objetivos políticos e arranjava formas de atuar, fosse na clandestinidade fosse de forma aberta, e de recrutar apoiantes. Este movimento constava não só de trabalhadores mas também de intelectuais, médicos e professores, que causavam constantes agitações e criticavam o governo por meio da escrita e da música, apesar da censura, tendo inclusivamente surgido nesta altura a Associação Portuguesa de Escritores. Os jovens eram igualmente um setor entusiasta e que se encontrava sempre na linha da frente na reivindicação dos seus direitos e da liberdade de manifestação. De facto, quase todas as pessoas tinham familiares ou amigos próximos a combater na cruenta guerra colonial, que se arrastava semeando mortes e parecia infrutífera e destituída de sentido. Deste modo, a revolta preparada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA) teve um total apoio por parte do povo, insatisfeito com as condições sociais, políticas e económicas do país e no dia 25 de abril de 1974 saiu à rua secundando e aplaudindo as ações dos militares.
Foi sobretudo este suporte total por parte da população que colocou o regime do Estado Novo perante uma situação incontestável e sem retorno. Para alguns analistas políticos, o papel do povo na própria ação da revolução e na sua preparação foi, no entanto, relativamente reduzido, considerando que a sublevação revolucionária foi uma empresa exclusiva e autónoma das Forças Armadas e foi quase nenhum o contacto entre os militares e os partidos da oposição (Partido Comunista e Partido Socialista). Para outros, se a base operacional e o arranque foram de cariz militar, já o processo revolucionário teve que ser popular, como foi, pois sem o apoio imediato e o entusiasmo do povo, dificilmente o movimento não teria passado de uma bravata de alguns jovens oficiais.
A pressão do povo e dos seus partidos mais representativos, na esfera política da "esquerda", foi essencial, completando o MFA, que coordenou política e militarmente numa primeira fase, assegurando a passagem do poder para os representantes do povo, ainda que sem eleições.
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