A Acumulação de Capital: Comércio e Finanças no Século XVIII

Durante todo o século XVIII verificou-se um enorme afluxo de metais preciosos bastante superior ao registado no século XVI. Nos finais do século XVII, foi descoberta no Brasil, graças às expedições de Bandeirantes, uma vasta região rica em minérios e pedras preciosas, batizada de Minas Gerais, e à qual se veio juntar, posteriormente, a de Mato Grosso e a de Goiás, dando-se deste modo início ao "ciclo do ouro" do Brasil. Entre as décadas de 40 e de 60 do século XVIII, a produção média de ouro num ano era de aproximadamente 14 600 kg. Na segunda metade deste século deu-se, porém, uma quebra da produção aurífera no Brasil, mas esta foi compensada pela intensificação da produção de prata nos planaltos do México Central, que não parou de crescer entre as duas últimas décadas da centúria até ao início do século XIX.
Este incrível aumento da produção de metais preciosos foi suscitado pela existência de uma mão de obra abundante (escravos) e acessível, bem como pelos avanços tecnológicos, como a utilização de pólvora para desbravar a abertura de galerias nas minas e o uso de uma mistura de mercúrio (amálgama) para tratar e purificar o minério. Os bons resultados conseguidos nesta área levaram à reabertura das minas do Peru e da Bolívia.
Na Europa Central também se deu um incremento da atividade mineira (prata, principalmente), embora aqui os níveis produtivos fossem comparativamente mais baixos do que os verificados na América. O século XVIII foi assim uma época de grande circulação de metais preciosos, fator que possibilitou a estabilização das moedas da Europa. A Inglaterra foi um dos países que mais ganharam com a crescente acumulação de metais preciosos, pois a velha aliada de Portugal veio a usufruir do ouro brasileiro em virtude do pagamento do défice registado entre as balanças comerciais dos dois países.
Contudo, se por um lado houve um crescimento da circulação da moeda, gerado pelo fomento da atividade comercial, por outro as suas remessas tornaram-se diminutas para acompanhar o ritmo de pagamentos. Esta situação obrigou ao aparecimento de notas de banco convertíveis, uma vez que estas representavam uma quantia de dinheiro depositado em metal precioso. Mas, de início, eram operações com algumas limitações e com pouca validade, conhecendo uma generalização reduzida.
Com o tempo, a banca vai assumindo um papel cada vez mais importante. A banca inglesa destaca-se das demais porque está intimamente ligada à atividade comercial e por apresentar significativos avanços em relação às restantes instituições europeias. O Banco de Londres, em atividade desde os finais do século XVII, começou depois de 1730 a atuar como um banco dos tempos modernos, habilitado a receber e movimentar depósitos, a conceder empréstimos tanto a entidades particulares como a Estados e a emitir papel-moeda.
A banca britânica introduziu uma outra inovação: a criação de bancos provinciais, que se desenvolveram a partir de 1760. Estas instituições bancárias podiam conceder adiantamentos em forma de cédulas, as quais eram usadas como moeda na região à qual pertencia o banco provincial, e recebiam igualmente depósitos posteriormente investidos em fundos públicos. Todavia, a sua atuação foi limitada por não se poderem constituir em sociedades anónimas.
Na Europa havia também bancos públicos. Contudo, a sua atividade era bastante limitada, pois estavam aptos apenas a fazer câmbios para fazer pagamentos entre negociantes. O crescimento e complexidade da atividade comercial trouxe novas necessidades que desencadearam o processo de internacionalização dos bancos. Surgem assim praças financeiras em Génova e em Genebra, fomentadas por grandes capitalistas reunidos em famílias. E os empréstimos, antes concedidos a título perpétuo, amortizados por um longo prazo a juros razoavelmente baixos, deram então lugar a empréstimos temporários mas mais rentáveis.
A atuação dos grandes capitalistas, em muito casos, foi além das barreiras fronteiriças e prefigurou uma forma de capitalismo internacional.
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