A Delfina do Mal

Poema narrativo, heterométrico, publicado em 1868, onde Tomás Ribeiro procura concretizar a "ação prática e social" que atribuía à poesia, optando por uma temática humanitária que aqui resulta num manifesto moral contra o suicídio. Assim, no prefácio-dedicatória ao seu irmão Henrique, apresenta a obra como "um poema que eu consagro à humanidade aflita, um livro que me esforcei por orvalhar de bálsamos para muitas feridas, de filosofia para muitos erros, de virtudes para muitos crimes, de cautérios para muitas chagas gangrenosas e até de ridículos para muitas aberrações sociais, um livro enfim que eu quis fazer de ensinamento e de piedade". Sob o ponto de vista da estrutura interna, a narrativa apresenta duas ações paralelas - facto pelo qual o autor se defende da possível acusação de falta de "simetria" do seu poema, num fragmento metatextual - que se encontram no final, quando Albano, vítima de um desgosto amoroso e disposto ao suicídio, contempla a leprosa Delfina, cuja existência era um acumular de desgraças físicas e morais, e desiste do seu intento.
A Delfina do Mal foi parodiada por Guilherme Braga em O Mal da Delfina.
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