A Divorciada
Romance de José Augusto Vieira, publicado em 1881, que retoma de certa forma a tese de Os Noivos, de Teixeira de Queirós, no que diz respeito ao descalabro das relações conjugais baseadas em pressupostos errados, e de O Primo Basílio, de Eça de Queirós, no que concerna às razões conducentes ao adultério, como os defeitos da educação feminina romântica e a ociosidade.
Com a personagem de Ermelinda, a divorciada de Alberto, adúltero reincidente, inibida pela lei de refazer a sua vida e ostracizada pela sociedade preconceituosa, forçada pela pobreza a juntar-se a um homem rico, o autor pretende denunciar a situação ambígua da mulher divorciada e as consequências morais perniciosas que daí podem advir. O romance constitui uma aplicação ortodoxa da estética naturalista, nomeadamente quanto ao estilo objetivo, quase fotográfico, do narrador, que privilegia a reprodução direta dos diálogos e pensamentos das personagens.
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