A Marcha dos Pinguins

Documentário francês realizado em 2005 por Luc Jacquet, La Marche de L'Empereur foi narrado (em voz off) por Charles Berling, Romane Bohringer e Jules Sitruk.

Todos os invernos, nos desertos gelados da Antártida, dá-se um ritual impressionante que se repete há séculos da mesma forma: milhares de pinguins-imperadores abandonam as águas cristalinas que habitam e saltam para a superfície de gelo onde iniciam uma longa jornada que os levará até uma região tão isolada que não alberga mais nenhuma forma de vida.
Em longas filas indianas, os pinguins marcham, determinados, sob violentas tempestades de neve e fortes rajadas de vento. Impelidos pelo instinto de sobrevivência, avançam com uma força quase sobrenatural até ao seu local tradicional de reprodução. Aí chegados, encetam peculiares danças e jogos de sedução que, depois de reunidos em casais monogâmicos, os conduzem ao acasalamento.

Mas isto é apenas o início da história. Depois de terem percorrido cerca de 90 km para o ritual de acasalamento, as fêmeas põem um ovo que passam com o maior dos cuidados para o macho, que o aconchega no seu seio.

Começa então a odisseia das fêmeas para regressarem ao mar em busca de comida, enquanto os machos lutam pela sobrevivência, sem comida, protegendo os filhotes do frio mortífero. Esperam pelas fêmeas que trazem no bico comida para as crias e só depois é a vez de eles se arrastarem até ao mar para enfim comerem.

Enquanto isso, as fêmeas esperam que os filhos consigam caminhar sozinhos e aguentar o frio para poderem juntos encetar a viagem de regresso ao mar. No ano seguinte, todo o processo se repete.

Filmado em condições muito difíceis na Antártida, durante cerca de 14 meses, o filme conta a belíssima história de sofrimento e abnegação dos simpáticos animais que desafiam a natureza e arriscam a vida para poderem assegurar a sobrevivência da sua espécie. Ultrapassando o dispositivo habitual dos documentários sobre o mundo da natureza, o filme usou uma técnica de antropomorfização ao colocar três atores a dar voz a cada um dos elementos de uma família de pinguins. Essa dimensão emocional associada à eficaz banda sonora teve como consequência um enorme sucesso comercial em França.

Depois disso, os EUA compraram o filme para exibição no seu país e alteraram-lhe a banda sonora e a narração. Esta versão diferente, intitulada The Emperor's Journey, foi narrada pelo ator Morgan Freeman. O seu sucesso comercial foi arrebatador, conseguindo um rendimento de cerca de 80 milhões de dólares e o título de filme francês mais lucrativo de sempre nos EUA, para além de se ter também revelado um fenómeno cultural e social.

Foi nomeado para dois BAFTA (Melhor Fotografia e Melhor Montagem) e ganhou o Óscar de Melhor Documentário (2006).
Como referenciar: A Marcha dos Pinguins in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-09-17 11:16:26]. Disponível na Internet: