A Mais Bela Maldição

Rui Couceiro

As Rosas de Barbacena

Alberto S. Santos

Tudo sobre o Irão

Ricardo Alexandre

Tempo de leitura1 min

A Poesia de Alberto de Serpa
favoritos

Suprimindo a sua obra poética inicial, A Poesia de Alberto de Serpa, de 1981, reúne a poesia completa do autor presencista. No prefácio, João Gaspar Simões põe em relevo, como características inovadoras do autor de Varanda, o versilibrismo e o retomar de um descritivismo realista, encetado com Cesário, e levado à sua máxima nitidez por Alberto de Serpa, conferindo ao poeta portuense o papel de precursor do neorrealismo e a considerando que, "em vez da imagem das coisas, Alberto de Serpa proporciona-nos as próprias coisas" (p. 15). Confluindo nela a descoberta das potencialidades rítmicas do verso livre com vetores descritivos, introspetivos e religiosos, conjuga a expressão lírica do homem para quem a tragédia reside "no quase que falta/ aos braços para serem asas", entre o cansaço e a "ânsia de civilização", com a lucidez auto-irónica: "Eu sou para aqui um pobre poeta espontâneo e triste...// A tristeza desce sobre mim fatal como a noite,/ para os meus olhos tudo toma uns tons esfumados e vagos,/ e as mais reais presenças são saudades nascentes...// Deixai-me receber a graça desta poesia inútil,/ [...] Quero ouvir as palavras misteriosas que ecoam dentro de mim,/ e trazê-las para a luz, sem falas e sem gestos,/ nas ondas sossegadas dum mar interior e calmo.// Talvez um vento arraste essa inútil poesia,/ e ela vá acordar um sonho, ou concluir uma lágrima...". Para David Mourão-Ferreira, a poesia de Alberto de Serpa desenvolve-se a partir de um veio natural, "o amor - sobretudo o amor conjugal, o amor das instituições familiares, o amor do sossego e da própria frustração doméstica", tema central que, na sua realidade prosaica, o salva da retórica fácil e da tentação do sentimentalismo, e sobre o qual se incrustam motivos diversos como "o sentimento da efemeridade dos atos humanos; a nostalgia provinciana; o horror da guerra; a piedade ante as misérias sociais" (cf. MOURÃO-FERREIRA, David - Vinte Poetas Contemporâneos, 2.a ed. aum., Lisboa, Ática, 1979, p. 145).
Partilhar
  • partilhar whatsapp
Como referenciar
A Poesia de Alberto de Serpa na Infopédia [em linha]. Porto Editora. Disponível em https://www.infopedia.ptartigos/$a-poesia-de-alberto-de-serpa [visualizado em 2026-06-05 13:21:37].

A Mais Bela Maldição

Rui Couceiro

As Rosas de Barbacena

Alberto S. Santos

Tudo sobre o Irão

Ricardo Alexandre