A Vida Toda

O primeiro volume de poesia publicado por José Augusto Seabra reúne composições escritas entre 1955 e 1961, inserindo o autor, cronologicamente, no contexto da Geração de 50. Dentre as tendências deste período, a poesia de A Vida Toda distingue-se pela expressão de uma angústia, de uma solidão e de uma tristeza, que, sendo individuais, não decorrem do ensimesmamento do indivíduo na sua subjetividade, refletindo, antes, o contexto mental coletivo de que são eco; por outras palavras, o título A Vida Toda parece receber menos o investimento emotivo de um homem particular do que a expressão do humano ou de um certo humanismo. Ao mesmo tempo, a poesia de A Vida Toda, preferindo a regularidade métrica e rítmica, e recorrendo a formas fixas, como o soneto, apresenta o autor como um caso ímpar de continuidade com a tradição lírica pré-moderna, reescrita, porém, à luz das aquisições da própria modernidade: "Encontro em cada coisa o que é comum./ Reparto cada instante mais pequeno/ da intimidade oculta dos meus gestos./ Sereno escrevo e a vós me dou sereno.// Sois o eco e o som da minha voz./ Amais a claridade e eu sou claro./ Dispo-me inteiro se preciso for/ e no que é simples é que busco o raro." ("Arte Poética")
Como referenciar: A Vida Toda in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-08-04 12:06:38]. Disponível na Internet: