Abel Gance

Realizador, argumentista e ator francês, Abel Gance nasceu a 25 de outubro de 1889, em Paris, e morreu a 10 de novembro de 1981, também nessa cidade. Filho ilegítimo dum médico abastado, o jovem Abel foi educado pela mãe e pelo padrasto de quem adotou o sobrenome. Aos 18 anos, começou a trabalhar como empregado num escritório de advocacia, mas a paixão pelo teatro fê-lo abandonar esse emprego. Em 1908, partiu para Bruxelas e aí se estreou como ator. Rapidamente ganhou algum prestígio, tendo voltado a França para interpretar um pequeno papel no filme Molière (1909). Como só era recrutado para o desempenho de papéis secundários, demonstrou interesse em escrever argumentos e, em 1911, foi contratado pelos Estúdios Gaumont como argumentista e realizador. Estreou-se na direção de filmes com La Digue (1911), onde utilizou arrojados efeitos visuais, mas os produtores acharam a obra pouco convencional pelo que os resultados de bilheteira não foram os melhores. Entre 1912 e 1914, Gance realizou uma dezena de filmes mal recebidos pelo público e que, infelizmente, se perderam. Algo desiludido, Gance voltou ao teatro, tendo escrito a peça Victoire de Samutrace (1914). Apesar das suas cinco horas de duração, a peça protagonizada por Sarah Bernhardt foi um sucesso de público e de crítica. Apesar da eclosão da Primeira Grande Guerra, Gance não foi recrutado para o exército por padecer de tuberculose, o que veio beneficiar a sua carreira artística. Foi contratado pelos Estúdios Film D'Art onde assinou títulos que se viriam a tornar pérolas do cinema mudo: L' Heroisme de Paddy (1915), Fioritures (1916), Mater Dolorosa (1917) e Ecce Homo (1918). Em 1918, Gance foi mobilizado para a frente de guerra onde, durante um ataque, sofreu um bombardeamento de gás-mostarda que quase o matou. Já recuperado, encetou esforços para realizar um épico anti-guerra: J' Accuse (1919) foi um sucesso a nível internacional e catapultou-o para voos mais altos. Traumatizado com a morte da sua esposa e do seu melhor amigo devido a uma epidemia de gripe, Gance aceitou um convite para se deslocar a Hollywood. Aí, ficou chocado com a política de interesses dos produtores cinematográficos e recusou uma soma choruda para trabalhar nos estúdios Metro. De regresso a França, assinou La Roue (1922), a sua primeira obra experimentalista que viria a influenciar decisivamente realizadores soviéticos como Pudovkin e Sergei Eisenstein. Em seguida, realizou a sua obra mais emblemática, Napoléon (Napoleão, 1927), um filme com quatro horas e meia de duração que levara dois anos e meio a ser rodado, com recurso a câmaras panorâmicas e com algumas cenas a cor. A obra versava sobre a juventude e carreira militar de Napoleão Bonaparte, mas a longa duração do filme levou os produtores a retalhá-lo para distribuição internacional, retirando-lhe consistência narrativa. Daí para a frente, os produtores exigiram a Gance contenção orçamental, o que se veio a repercutir na qualidade dos seus filmes. Na década de 30, foram realizados os seus primeiros filmes sonoros, destacando-se épicos históricos como Lucrèce Borgia (Lucrécia Bórgia, 1935) e Un Grand Amour de Beethoven (1936). Em 1943, Gance foi instado pelo Governo Colaboracionista de Vichy a abandonar a França. Como consequência, esteve dez anos sem filmar, voltando a fazê-lo em 1953 com Quatorze Juillet (Quatorze de julho, 1953). O seu último filme seria Bonaparte et la Révolution (1971), uma nova versão da obra que assinara em 1927.
Como referenciar: Abel Gance in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-12 20:55:33]. Disponível na Internet: