ação social

Pode dizer-se que toda a ação humana tem um carácter social porque na sua base estão modelos elaborados em sociedade. A ação social é um dos elementos centrais da sociologia. Como diz Guy Rocher no prefácio à sua obra Introduction à la Sociologie Générale (1969), a questão da ação social é levantada por uma das problemáticas da investigação teórica e empírica em sociologia: a de saber como é que as coletividades humanas existem e se mantêm e como é que o indivíduo se liga a essas coletividades. Responder a estas questões levanta o problema da ação humana socialmente contextualizada. O debate acerca da ação social remonta aos "pais fundadores" da sociologia. No entender de Émile Durkheim a ação social tem a sua origem no exterior do indivíduo pois resulta das pressões externas que se lhe impõem. O carácter real e objetivo dos factos sociais - definidos por Durkheim como o objeto da sociologia - torna a ação social independente da subjetividade individual. Max Weber propõe, pelo contrário, uma definição subjetiva de ação social, que tem em conta o sentido que cada indivíduo dá à sua ação. Basta que uma pessoa se situe em relação a outrem e oriente a sua ação em conformidade com as expectativas alheias para que exista ação social, mesmo quando não esteja presente o relacionamento com o outro. As conceções de Weber estão na origem do paradigma acionista em sociologia, que nasce de uma reação contra o positivismo nas ciências sociais. Este paradigma - de que, por exemplo, os interaccionistas simbólicos são tributários - dá valor às intenções e aos projetos dos atores sociais e encara as instituições não como factos sociais exteriores aos indivíduos mas como fruto da ação e interação entre as pessoas.
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