Adolph Gottlieb

Pintor norte-americano, Adolph Gottlieb nasceu em 1903, em Nova Iorque. Entre 1920 e 1930, estudou sucessivamente no Art Studentes League de Nova Iorque, na Académie de la Grande-Chaumière em Paris e, de novo em Nova Iorque, na Parson School of Design.
Entre 1933 e 1943, participou nos Federal Art Projects e executou um grande conjunto de pinturas murais em edifícios públicos. Realizou a sua primeira exposição individual em 1934.
Em 1937, durante uma deslocação ao deserto do Arizona, interessou-se pela arte dos índios (que se dedicou a colecionar). Influenciado também pela arte primitiva e pela arte dos povos esquimós do Alasca, dedicou-se à pintura de telas de grandes formatos nas quais utilizou pigmentos naturais. De 1941 a 1951, realizou uma série de pictogramas que constituem quase uma escrita hieroglífica e nos quais integrou figuras simbólicas humanas e animais (ligadas aos mitos freudianos), resultantes de associações automáticas de carácter surrealista. Estas pinturas, baseadas na intuição e no subconsciente colocam a obra de Gottlieb na linha direta do movimento surrealista europeu. A pintura "Os encantados", realizada em 1945 em estilo pictográfico e com carácter narrativo, aborda temas recorrentes como a morte e a destruição, presentes na obra de muitos dos artistas do pós-guerra. Outro exemplo da pintura produzida neste período é o quadro "Retorno do Viajante", de 1946.
A partir de 1951, Gottlieb abandonou os pictogramas, procurando simplificar a sua linguagem pela redução aos elementos essenciais, pelo que as pinturas se tornam parcialmente abstratas. Foi nesta altura que se associou ao movimento do Expressionismo Abstrato, pintando então um conjunto de paisagens imaginárias e estratificadas, composições de grande formato ritmadas pelo horizonte e contendo discos solares ou ovoides. Opõe a atividade humana à quietude espiritual, pelo contraste de planos mais gestuais e de discos imóveis e suspensos num campo que remete para a ideia de céu. São exemplo deste período as telas "Exposição II", de 1957 e "Campo cor-de-rosa".
Adolph Gottlieb morreu em 1974, em Easthampton.
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