Adozinda

Poema-balada, cuja publicação em 1828, durante o segundo exílio de Garrett, decorre do trabalho de compilação das lendas e romances portugueses de tradição oral ou escrita então iniciado, que culminará, entre 1843 e 1851, na publicação dos três volumes do Romanceiro. Na carta a Duarte Lessa que serve de prefácio à obra, Garrett teoriza amplamente sobre "a nossa poesia primitiva e eminentemente nacional", que identifica com "o romance histórico e cavalheiresco", poesia autóctone e medieval, que teria deixado de ser cultivada em virtude do triunfo da estética clássica: "enfastiados dos Olimpos e Gnidos, saciados das Vénus e Apolos de nossos pais e avós, lembrámo-nos de ver com que maravilhoso enfeitavam suas ficções e seus quadros poéticos nossos bis e trisavós [...]. A poesia romântica, a poesia primitiva, a nossa própria, que não herdámos de Gregos nem Romanos nem imitámos de ninguém, mas que nós modernos criámos, a abandonada poesia nacional das nações vivas, ressuscitou bela e remoçada, com suas antigas galas, porém melhor talhadas, com suas feições primeiras, porém mais compostas". A ação da balada gira em torno da paixão incestuosa de um pai por sua filha.
Como referenciar: Adozinda in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-15 03:04:50]. Disponível na Internet: