Adriano I

Papa romano, órfão desde tenra idade, foi educado pelo seu tio Teodoto e eleito papa pelo povo romano, além do clero, algo que contrariava os preceitos instituídos pelo seu antecessor, Estêvão III. O seu papado ocorreu de 1 de fevereiro de 772 a 25 de dezembro de 795.
Este papa conseguiu mitigar a grave crise de fome de Roma ao desenvolver uma estrutura de quintas que alimenta a urbe e os arredores.
O rei lombardo Desidério cercou Ravena, depois de exigir que o papa consagrasse os filhos de Carlos Magno (irmão de Carlos), que tinha abdicado do trono franco que dividia com o irmão. Esta manobra tinha como objetivo desestabilizar o governo de Carlos. O papa contactou então o rei franco, que tinha restaurado a influência em Roma após o episódio da morte de Cristóforo (vd. Estêvão III). Este fez ofertas de paz a Desidério e ofereceu-lhe compensações pelas fortalezas que este tinha de entregar, sendo as suas propostas continuamente recusadas. Dada esta situação, o rei franco decidiu atacar os lombardos e eliminar definitivamente a ameaça. Muitos dos nobres lombardos refugiaram-se em Roma, onde o rei Carlos foi em peregrinação na Páscoa de 774. Recebido com todas as honras e passados os festejos, reuniu-se com o papa e reconheceu que à propriedade da Igreja de Roma pertenciam os territórios de Ravena, o ducado de Spoleto, o de Benevento, a ilha de Córsega, o ducado de Roma e as províncias de Ístria e Veneza. Um dos três exemplares deste acordo formal ficou na posse de Carlos, enquanto que os outros dois se depositaram no túmulo de São Pedro. Tornando-se deste modo o papa um senhor temporal com plenos poderes sobre vastos territórios (denominados Patrimonium Petri - Património de Pedro -, Estados Pontifícios ou República da Santa Igreja), abdicou da efígie do imperador oriental nas moedas e da datação vigente em Bizâncio.
O rei Carlos deteve um pouco deste poder, tendo assumido os títulos de patrício romano e rei dos francos e dos lombardos, após o encarceramento de Desidério e dos seus filhos num mosteiro. Contudo, os territórios que ficaram efetivamente sob alçada do papa acabaram por ser em menor número que o planeado.
Surgiu em 778 um documento, denominado Constitutum Constantini (ou Constituição de Constantino), onde o imperador Constantino V reconhecia propriedade da Igreja de Roma, a cabeça da cristandade, todos os territórios de Itália e do Ocidente. No século XV foi provada a falsidade deste documento, que vingou durante tanto tempo porque o imperador tinha falecido em 775 e não o podia refutar.
Com a regência da imperatriz Irene, em Bizâncio, acabou a iconoclastia e as relações com Roma melhoraram. Realizou-se um concílio em Niceia (787) e as duas Igrejas uniram-se no culto das imagens.
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