Al Hirschfeld

O ilustrador norte-americano Al Hirschfeld nasceu em 1903. Durante a sua juventude viveu em Nova Iorque, onde estudou arte. Paralelamente, trabalhou como ilustrador para os estúdios de Samuel Goldwyn, onde fez desenhos para anúncios, de onde passou para a Selznick Pictures. Aqui, com apenas 17 anos, foi nomeado diretor de arte. Nessa altura fundou o seu próprio estúdio de arte. No entanto, a Selznick faliu e Hirschfeld, ficou em sérias dificuldades financeiras. Arranjou emprego na Warner Brothers e pagou as dívidas ao empregados do seu estúdio. Como recompensa um tio deu-lhe um bilhete para Paris, em França, e quinhentos dólares. Em 1925 passou seis meses em Paris, mas regressou a Nova Iorque para tentar fazer carreira como pintor.
A 26 de dezembro de 1926 fez um desenho do ator Sacha Guitry que foi publicado no New York Herald Tribune. Decorridos dois anos os seus desenhos sobre teatro eram já publicados em cinco jornais nova-iorquinos.
Quando casou, Hischfeld viajou até à Rússia onde desenhou muito material que, posteriormente, levou à aprovação de um editor, que acabou por perder os desenhos. Entretanto, Charlie Chaplin comprou uma série de aguarelas de Hirschfeld, o que permitiu a este fazer uma longa viagem de um ano. Quando regressou a Nova Iorque voltou a fazer desenhos de teatro, apenas o suficiente para juntar dinheiro para outra viagem a Paris.
Hirschfeld dedicou-se, também, a desenhar quadros, litografias e cartoons políticos.
Na década de 30, o artista passou a desenhar, antes da estreia das peças, a essência do que o público poderia ver, publicando as suas obras depois de ver as representações antes de elas chegarem a Nova Iorque. Al Hirschfeld acabou assim por registar no papel todos os grandes atores de teatro da época.
Mas o desenhador não se dedicava só a retratar o teatro e em 1932 publicou um livro de ilustrações sobre os bares e os empregados de Nova Iorque intitulado Manhattan Oases.
Em 1941 editou um novo livro, intitulado Harlem, mas vendeu um reduzido número de exemplares porque este saiu pouco antes do ataque dos japoneses a Pearl Harbour e à entrada dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial
Hirschfeld teve uma filha, em 1945, chamada Nina. No dia em que ela nasceu o artista escreveu o nome dela escondido no desenho da peça de teatro. Passou a ser um hábito escrever Nina nos desenhos, disfarçando a palavra em cabelos ou cortinas, fazendo disso uma brincadeira com o seu público. Esta brincadeira acabou por influenciar o estilo de desenho de Hirschfeld, cada vez com mais textura, para permitir um uso mais disfarçado da palavra Nina.
Em 1948 lançou o primeiro de vários livros com S. J. Perelman, que escrevia os textos que Hirschfeld ilustrava. Em 1986 desenhou ilustrações para um livro em memória de Perelman.
Durante os anos 50 e 60 Al Hirschfeld continuou a fazer ilustrações de peças de teatro, sempre com Nina presente.
Em 1969 lançou um conjunto de dez litografias a cores numa edição reduzida de 120 exemplares e em 1975 apresentou uma coleção de imagens japonesas, numa edição de 250 exemplares.
Al Hirschfeld desenhou também capas para revistas como a TV Guide e a Time, assim como a Rolling Stone, para a qual fez uma ilustração de Madonna em 1998.
Ainda na década de 90 desenhou duas coleções de selos dos correios norte-americanos, sobre atores e estrelas de filmes mudos.
Al Hirschfeld, que trabalhou para o New York Times durante 70 anos, morreu a 20 de janeiro de 2003.
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