Alasca

Estado-membro dos Estados Unidos da América situado no extremo noroeste da América do Norte e limitado a norte pelo oceano glacial Ártico, a leste pelo Canadá, a sul pelo Oceano Pacífico e a oeste pelo estreito de Bering que o separa da Federação Russa. É o maior estado norte-americano (1 477 268 km2), mas também o mais escassamente povoado, com apenas 664 400 habitantes (2004), a que corresponde uma densidade populacional de 0,45 hab./km2. Inclui as ilhas Aleutas, das quais a mais ocidental - Attu - dista da Rússia apenas 90 km. O Alasca produz petróleo, gás natural, carvão, ferro, ouro e cobre; a sua indústria pesqueira é importante. O monte McKinley, com uma altitude de 6194 metros, é o pico mais alto da América do Norte. A capital é Juneau.
Este território serviu, há cerca de 40 000 anos, durante a última glaciação, como "porta" de entrada na América dos primeiros grupos de homens vindos da Ásia.
A primitiva região do Alasca reunia quatro grupos étnicos distintos: a tribo dos Aleutas, fixada na parte ocidental da Península do Alasca e nas ilhas adjacentes, a tribo dos Inuit (os Esquimós) na área costeira da Baía de Bristol, a dos Tlingit-Haida do Sudeste do Alasca e a dos Athabascas do interior. No conjunto, tratavam-se de povos piscatórios, construtores de canoas e kayaks, cuja sobrevivência dependia do mar, ou recoletores e caçadores, adpatados às florestas e estepes, à sua fauna e flora. O Alasca foi pela primeira vez visitado pelos europeus no final da primeira metade do século XVIII (1741), na sequência de uma expedição russa comandada por Vitus Behring, um navegador dinamarquês ao serviço dos czares que, juntamente com alguns membros da sua tripulação, pereceu na viagem de regresso à Europa. Deu o seu nome ao mar que separa o Alasca da Sibéria, no Pacífico Norte.
No último quartel desta centúria (1784), Grigory Shelekhov colonizou a ilha de Kodiak e Gerasim Pribilof localizou as ilhas das "Focas" dois anos depois. Antes, em 1793 e 1794, o inglês Georges Vancouver já teria também explorado parte da região. Em 1799 a Companhia Russo-Americana conseguiu o monopólio do comércio das peles.
Durante várias décadas, o controlo da Rússia sobre o Alasca manteve-se inalterável, apesar das investidas de outras potências como a Espanha, a Inglaterra, a França e os Estados Unidos da América, país ao qual Moscovo chegou a pensar vender este território aquando do declínio do comércio das peles e da ameaça de invasão por parte dos ingleses na década de 50 do século XIX. Contudo, este negócio, conduzido pelo Secretário de Estado William H. Seward (até 1867), pelo lado americano, não se concretizou devido ao rebentamento da Guerra Civil Americana.
Na sequência da guerra da Secessão (ou Civil Americana), a presença militar dos norte-americanos no Alasca verificou-se logo em 1867 quando estes adquirem o território aos russos por 7 200 000 dólares (um dos melhores negócios da história mundial) e prolongou-se até 1877. Todavia, o efetivo controlo sobre este território só foi possível em 1879 com a chegada de navios de guerra. Seguidamente, em 1884, o Congresso dos Estados Unidos estabeleceu o Alasca como um distrito governado pelos americanos deixando de ser território militar. Em 1906 o Alasca conquistou o direito a ter um delegado no Congresso, e em 1912 ganhou o estatuto de território. No entanto, apenas em 1958 foi apontado como o 49.° Estado americano, um acontecimento que trouxe grande prosperidade ao território.
Esta região oferecia, nos anos 80 do século XIX, uma proveitosa pesca de salmão, atividade substituída pela corrida ao ouro na década de 90, que atraíu um considerável número de pessoas a cidades como Anchorage e Fairbanks.
O desenvolvimento económico do Alasca foi seriamente comprometido com o insucesso da tentativa de se auto-governar e, na segunda e terceira década do nosso século, deu-se um decréscimo da população, com os efeitos da Grande Depressão a fazerem-se sentir seriamente. Todavia, com o New Deal dos anos 30, foram implementadas medidas propiciatórias para o seu progresso e estímulo à sua colonização.
Com a Segunda Guerra Mundial, o Alasca foi reconhecido como um vital ponto estratégico, sendo assediado pelos japoneses, que ocuparam as ilhas de Attu e Kiska. Para tentar minorar as ameaças às águas territoriais do Alasca, o governo norte-americano patrocinou, em 1942, a construção de uma autoestrada, para fazer a ligação com a Columbia Britânica, canadiana, ao longo da costa do Pacífico até Juneau, capital estadual, e daí até outras cidades.
Posteriormente, no período da Guerra-Fria, num ambiente de tensão com o Bloco de Leste liderado pela União Soviética, foram incrementadas as construções militares. Neste contexto foram lançadas estações de Radares DEW (Distant Early Warning).
A indústria do peixe, no passado a principal fonte de receitas desta economia, entrou em decadência por volta dos anos 40, sendo o seu lugar ocupado pelos produtos florestais nos anos 50 e, principalmente, pelo petróleo, descoberto em 1957. A extração petrolífera aumentou nos anos 60 com a descoberta de novas e abundantes jazidas no norte do território. Se por um lado esta indústria trouxe prosperidade económica e possibilitou o desenvolvimento do Alasca, por outro arrastou consigo problemas ambientais, pois foi precisamente nesta região que se deu um dos piores desastres ecológicos americanos em março de 1989. Neste ano, ficou tristemente célebre o derrame causado pelo super-petroleiro Exxon Valdez, cujos efeitos devastadores ainda hoje se fazem sentir.
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