Alberto Soares

Alberto Soares é o protagonista de Aparição, obra que, sob a influência de correntes existencialistas, marca, depois de Mudança (1950), uma inflexão na novelística de Vergílio Ferreira. Educado, num ambiente rural, nos parâmetros de uma moral tradicional e católica, Alberto Soares é, por influência familiar e social, crente. Numa segunda fase da sua vida, já adulto, rejeita os comportamentos tradicionais, afasta-se de Deus e interroga-se acerca da sua existência. A morte do pai vai adensar esse questionamento, colocando-o diante do mistério inexplicável da morte enquanto ponto final da caminhada do Homem. Numa terceira fase, Alberto Soares afirma revolucionar o mundo com a sua descoberta de que o Homem se constrói na negação de Deus e na afirmação de si próprio. No entanto, o professor do liceu de Évora, invadido pelo sentido de tragicidade e de fragilidade da condição humana, tornar-se-á um ser angustiado, preso entre a descoberta de um eu profundo e metafísico e a procura afetiva. Já aposentado, de regresso à aldeia, relembra o passado. Revê o "eu" perturbado, angustiado e desejoso de descobrir o limite das coisas que foi, e, por fim, sentado na sala vazia, parece ter encontrado o apaziguamento e aspira ao "repouso final": "Sei e não temo".
Como referenciar: Alberto Soares in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-11-18 09:06:32]. Disponível na Internet: