Alberto Varanda

Escultor, ilustrador, autor de banda desenhada e criador de jogos de computadores, Alberto Varanda nasceu em Arcozelo, Vila Nova de Gaia, a 1 de novembro de 1965. Em 1968 partiu para França com a família, instalando-se na cidade de Lille, onde viveu até aos 17 anos, tendo-se interessado pela escultura em madeira.

Posteriormente, foi para Paris estudar Grafismo Publicitário e Ilustração, tendo criado com os colegas o efémero Fanzine, Molécule. Depois de concluídos os estudos, foi assistente de uma decoradora, graças à qual conheceu Xavier Fauche e Jean Léturgie, autores de banda desenhada que fizeram vários argumentos de Lucky Luke, que lhe propuseram colaborar em diversos projetos, como a série Rantanplan ou em gags para Michel Janvier.
É desta época a participação na realização de desenhos animados de Lucky Luke, mas como não era a animação a área que pretendia seguir, regressou à BD, tendo colaborado com as revistas Tintin Reporter e Spirou, a primeira sucedânea da histórica Tintin, surgida em 1946 e entretanto desaparecida, e a segunda ainda em publicação semanal desde 1938. A participação na referida revista Tintin Reporter, no seu número 33, de junho de 1989, marcou a publicação da sua primeira história de BD.

Na localidade de Avray, nos arredores de Paris, lecionou em Cursos de Desenho, tendo conhecido um aluno criador de jogos de computadores, com o qual colaborou durante alguns anos, em que criaram jogos como INS/MV (In Nomine Satanis/Magna Veritas), Bloodlust e Scales. Nessa época, colaborou com a revista de jogos de computadores Casus Belli, para além de ter realizado trabalhos publicitários.

Jean Léturgie, que dirigiu uma coleção na desaparecida editora Alpen-Publisher, convidou-o a realizar um álbum de BD que depois de terminado nunca chegou a ser editado, pois entretanto a Alpen extinguiu-se. Para a sociedade BD Médias, realizou diversas histórias de BD de comunicação, entre outros trabalhos de BD publicitária que lhe foram encomendados.

O seu trabalho na banda desenhada tem sido marcado por uma estreita parceria com Ange, que corresponde à aglutinação das primeiras letras dos nomes de Anne e Gérard Guéro, dupla que realiza grande parte dos argumentos de Varanda, sendo também responsáveis por Role-Playing Games e obras literárias. Conheceu-os na referida revista Casus Belli, tendo ilustrado várias capas dos seus romances.

La 22 Millième Dimension (1994) correspondeu a um álbum de BD encomendado pelo Centro Social de Vermandois, que mostra o presente e o futuro de Saint-Quintin (em Aisne), local onde Alberto Varanda residiu anteriormente, num retrato social de uma outra dimensão, que contou com a cumplicidade dos seus habitantes, num projeto desenvolvido ao longo de três anos. Ainda para Saint-Quentin, realizou o cartaz das Jornadas de BD daquela localidade, em 1994.

O primeiro trabalho de relevo de Ange e Varanda foi a série Reflet d'Écume (da editora Vents d'Ouest), que com um toque barroco apresenta uma nova interpretação de A Pequena Sereia, a magistral criação de Hans Christian Andersen, cujos volumes saídos foram Naïade (1994) e Noyade (1995). 

Seguiu-se Dinosaures, um álbum coletivo (Éditions du Téméraire, 1995) que compreende histórias curtas sobre dinossauros, em que participaram nomes consagrados da BD, como Michel Plessix, Emmanuel Lepage, Crisse, Lucien Rollin, Jérôme Lereculey, David Chauvel, Tiburce Oger e, obviamente, Alberto Varanda.

Série marcante tem sido Bloodline (Vents d'Ouest, 1996), um policial no melhor estilo dos Comics estado-unidenses, em que uma equipa do FBI tenta deslindar um massacre cometido sem razão aparente. Inicialmente apresentada a preto e branco num invulgar volume de 134 páginas (Vents d'Ouest, 1996), a série foi adaptada, a partir de 1997, a álbuns a cores de 48 páginas, com coloração de Patrikian, de que já foram editados Lune Rouge, La Traque, Passé Recomposé e Entre Mondes. Em Portugal os dois primeiros volumes da versão a cores (Lua Vermelha e A Batida) foram editados pela Meribérica/Liber, em 2000 e em 2003.

La Geste des Chevaliers-Dragons constituiu o seu trabalho mais conhecido, com o primeiro álbum (Jaïna, Vents d'Ouest, 1998) a merecer grande acolhimento, tanto em França como noutros países em que foi traduzido. Por este trabalho, em 1999 recebeu o Prémio Para o Melhor Desenho no Festival de Chambéry. Trata-se de uma BD de fantasia-heroica que tem estado muito em voga desde os anos 90 do século XX, que nos transporta para um ambiente medievo, no qual uns devastadores dragões só podem ser combatidos por jovens guerreiras que sejam virgens, que formaram a Ordem dos Cavaleiros Dragões.

Esta foi a primeira história de Alberto Varanda a surgir em Portugal, através da revista Seleções BD (II série, novembro de 1998), que no seu número inaugural lhe concedeu honras de capa, sob o título de "A Gesta das Amazonas-Dragões", em versão a preto e branco. Em 2002, as Edições Devir apresentaram este volume a cores, com nova tradução e sob o título de A Saga dos Cavaleiros Dragões. Na impossibilidade de Alberto Varanda prosseguir o desenho da série, em 2003 surgiu o segundo episódio, Akanah, sob desenho de Philippe Briones, mantendo o argumento de Ange, editado pela Soleil.

La Villiers (Soleil, 2000) corresponde a um outro título coletivo, desta feita sobre canções de Bernard Lavilliers, o criador da canção "On the road again...", que colaborou com cada autor de BD: Alberto Varanda, Michel Plessix, Vicomte, Bajram, Servain, Cartier, Aouamri, Emmanuel Lepage, Mourier, Cromwell, Tota, Dany, Labrosse e Moebius.

A trilogia Paradis Perdu surgiu em 2001 com Enfer (Éditions Soleil), tendo este primeiro episódio sido pré-publicado na revista de BD Lanfeust (da mesma editora). Trata-se de uma saga de contornos bíblicos, passada num ambiente atual, que nos mostra um anjo guerreiro que, para salvar uma criança, não hesitou em atravessar a fronteira que separa o paraíso do inferno, entrando numa armadilha que não imaginaria poder decidir o destino da humanidade.

Em 2001 foi o convidado de honra da 9.ª Festa da BD de Montbéliard, que teve como tema Portugal, para o qual realizou um magnífico cartaz com os azulejos como pano de fundo.
Os seus trabalhos ao nível da Ilustração já foram reunidos em porfólios, editados em tiragens muito limitadas, numeradas e assinadas pelo autor (prática muito habitual com os autores da BD francófona), dois deles em 1999 e um outro em 2001, mas também ex-libris, serigrafias e marcadores de páginas, tudo material com muita procura pelos apreciadores das suas bandas desenhadas.

Em 2000 ilustrou ainda um manual escolar da editora Nathan, Move Up - Anglais 6.e, em mais um exemplo que prova toda a sua versatilidade.
A sua página oficial na Internet é www.alvaranda.com que contém muitos dos seus desenhos e ilustrações para gáudio da sua considerável legião de fãs.
Como referenciar: Alberto Varanda in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-04-23 04:53:00]. Disponível na Internet: