Aleksandr Sokurov

Realizador russo, Aleksandr Nikolayevich Sokurov nasceu a 14 de junho de 1951 em Podorvikha. Filho de um militar veterano da Segunda Guerra Mundial, passou a infância em constantes viagens à medida dos destacamentos do pai. Entrou na Universidade de Gorki e, enquanto estudava, começou a trabalhar na televisão realizando e produzindo diversos programas. Depois de obter a licenciatura em História, mudou-se para Moscovo onde foi admitido na prestigiada escola de cinema VGIK. Aí revelou-se um excelente estudante e ganhou a Bolsa Eisenstein. Em 1978, fez a sua primeira longa-metragem, Odinoky Golos Cheloveka, mas só foi difundida quase dez anos depois, já que não obteve as boas graças da censura política. Aliás, os seus primeiros trabalhos não provocaram boas reações nos professores e outros avaliadores, e só a intervenção do mítico cineasta Andrei Tarkovsky (que apreciava o seu trabalho) impediu que a sua carreira ficasse comprometida.
Foi Tarkovsky quem recomendou Sokurov ao estúdio Lenfilm - um dos maiores do país - onde começou então a trabalhar. Em 1983, realizou Skorbnoye Beschuvstviye, um filme experimental inspirado na peça A Heartbreak House, de George Bernard Shaw. Tal como o seu primeiro filme, este só foi conhecido das audiências internacionais alguns anos mais tarde, mas nessa altura chamaram a atenção dos críticos, embora fossem obras difíceis para o espectador comum. Entretanto, Sokurov foi também realizando diversos documentários.
Os seus filmes de ficção seguintes - Spasi i Sokhrani e Dni Zatmeniya - confirmaram as primeiras impressões: tratava-se de um dos mais originais cineastas da época, que vincava uma forte impressão estética ao mesmo tempo que discorria sobre os meandros mais recônditos da condição humana. A opressão do espírito humano foi o tema central da trilogia formada por Krug Vtoroy (1990), Kamen (1992) e Tikhiye Stranitsy (1993). Em 1996, realizou um dos seus filmes mais celebrados - Mat i Syn (Mãe e Filho) - um dramático e sombrio retrato da relação entre um homem e a sua mãe com uma doença terminal. Três anos depois, Sokurov foi novamente aclamado por Moloch, uma reflexão sobre a complexidade do poder que se baseou na relação entre Hitler e Eva Braun. Este filme venceu o prémio de Melhor Argumento do Festival de Cannes e foi o primeiro de uma trilogia sobre os mais importantes líderes políticos do século XX. Os outros dois foram Telets (2000) - um controverso olhar sobre Lenine - e Solntse (2005) - que retrata um episódio histórico da vida do imperador japonês Hirohito.
Em 2002 realizou Russian Ark, um prodigioso exercício cinematográfico que é a primeira longa-metragem a ser filmada num único longo (96 minutos) plano, e em 2003 realizou Otets i Syn (Pai e Filho), que causou polémica pelas suas alegadas referências incestuosas.
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